DRE para pequena empresa: como montar, ler o resultado e descobrir se o negócio dá lucro

Como fazer DRE na pequena empresa: estrutura da Lei 6.404, modelo da ITG 1000 do CFC, exemplo passo a passo e a diferença entre lucro e fluxo de caixa.

Ilustração flat em fundo claro com folha de relatório com barras horizontais rotuladas Receita, Custos, Despesas e Lucro, uma calculadora estilizada e um card Resultado do mês com seta verde para cima
A DRE mostra, linha a linha, quanto da receita vira custo, despesa e, no fim, lucro.

Para fazer a DRE da pequena empresa, some tudo o que você vendeu no mês, tire devoluções e impostos sobre a venda, desconte o custo do que foi vendido e as despesas do período, e o que sobra é o lucro ou o prejuízo. A DRE segue o regime de competência, por isso mostra se o negócio dá lucro, coisa que o saldo do banco não mostra.

Pontos-chave

  • A DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) tem estrutura definida no art. 187 da Lei 6.404/1976, da receita bruta ao lucro ou prejuízo líquido.
  • O Código Civil, no art. 1.179, obriga o empresário e a sociedade empresária a levantar todo ano o balanço patrimonial e o “de resultado econômico”, que é a DRE.
  • A ITG 1000 do CFC, de 15/12/2022, define microentidade como a empresa com receita bruta de até R$ 4.800.000,00 e traz um modelo simplificado de Demonstração do Resultado.
  • O CPC 26 manda elaborar as demonstrações contábeis pelo regime de competência, com uma exceção: a demonstração dos fluxos de caixa.
  • Segundo pesquisa da Conta Azul com mais de 400 empresas, divulgada pela CartaCapital em agosto de 2025, 30% das PMEs não identificam se têm lucro ou prejuízo.
  • Na pesquisa Hábitos Financeiros 2025 do Sebrae, 61% dos donos de pequenos negócios pagam contas da empresa com a conta pessoal.

O que é DRE e para que serve na pequena empresa?

DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) é o relatório que confronta as receitas de um período com os custos e as despesas desse mesmo período e mostra se a empresa teve lucro ou prejuízo. Na pequena empresa, a DRE responde se sobrou algo depois de pagar tudo o que o negócio consumiu para vender.

A lógica da DRE é de cima para baixo, em degraus. Segundo o Sebrae Minas, as vendas brutas menos devoluções, descontos e impostos formam as vendas líquidas; as vendas líquidas menos os custos formam o lucro bruto; o lucro bruto menos as despesas operacionais forma o lucro operacional; e o lucro operacional ajustado pelos resultados não operacionais forma o lucro líquido do exercício.

A DRE oficial fecha o exercício social, normalmente o ano. A DRE de gestão deve ser mensal, para corrigir preço, custo e despesa enquanto há tempo.

Qual a diferença entre DRE contábil e DRE gerencial?

A DRE contábil é a demonstração feita pelo contador, com as linhas previstas na lei e nas normas do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), para cumprir obrigação legal e servir a bancos, sócios e fisco. A DRE contábil de uma microentidade segue o modelo da ITG 1000, com receita bruta, tributos sobre a receita, devoluções, receita líquida, custos, resultado bruto, despesas operacionais, resultado financeiro e lucro ou prejuízo líquido do período.

A DRE gerencial é a versão para decisão, feita pelo próprio dono ou pelo financeiro, com a mesma lógica e outra organização. O modelo de planilha do Sebrae-SP separa as despesas variáveis (impostos, comissões, taxas de cartão, frete) das despesas fixas (pessoal, despesas bancárias, ocupação) para mostrar a margem de contribuição, que é o valor que sobra das vendas para pagar a estrutura fixa.

As duas DREs devem bater no lucro final. Se a gerencial mostra lucro e a contábil mostra prejuízo no mesmo período, algum lançamento foi classificado de forma diferente.

Por que a DRE importa para quem tem pequeno negócio?

A DRE importa porque boa parte dos pequenos negócios não sabe se ganha dinheiro. Segundo a pesquisa “Digitalização dos empreendedores brasileiros”, da Conta Azul, com mais de 400 empresas de todas as regiões e divulgada pela CartaCapital em 14/08/2025, 30% das PMEs não identificam se têm lucro ou prejuízo, e 49% dizem gastar tempo excessivo com tarefas financeiras burocráticas.

Os dados do Sebrae mostram de onde vem esse ponto cego. Na pesquisa Hábitos Financeiros dos Pequenos Negócios 2025, publicada pela Agência Sebrae de Notícias em 07/01/2026, 30% dos donos controlam as finanças em planilha, 25% em caderno, 20% em aplicativo ou sistema, 13% deixam o contador cuidar e 10% não têm controle nenhum. A mesma pesquisa mostra que 61% pagam despesas da empresa com a conta pessoal.

A mistura de contas é o que mais estraga a DRE. Sobre o uso da conta pessoal para pagar a empresa, Décio Lima, presidente do Sebrae, afirmou: “Nós não recomendamos esse procedimento.” Quando o mercado da família e o aluguel da loja saem da mesma conta, o lucro calculado deixa de ser o lucro real.

Indicador Resultado Amostra e data Fonte
PMEs que não identificam lucro ou prejuízo 30% mais de 400 empresas, divulgado em agosto de 2025 Conta Azul, via CartaCapital
Donos que pagam a empresa com a conta pessoal 61% Hábitos Financeiros 2025, divulgado em janeiro de 2026 Sebrae
Controle financeiro em planilha / caderno / sistema 30% / 25% / 20% Hábitos Financeiros 2025 Sebrae
Donos sem nenhum controle financeiro 10% Hábitos Financeiros 2025 Sebrae
Empresas que não controlam custos operacionais 18% 373 empresas, março de 2025 Sebrae RS

Fonte: elaboração própria com base em Sebrae (2025 e 2026), Sebrae RS (2025) e Conta Azul via CartaCapital (2025).

O planejamento aparece como o maior obstáculo. Na 41ª Pesquisa de Monitoramento dos Pequenos Negócios do Sebrae RS, com 373 empresas e margem de erro de 5%, 66% apontaram o planejamento como principal desafio e 38% disseram ter apenas uma noção geral dos custos. A DRE mensal transforma essa noção em número.

A pequena empresa é obrigada a fazer DRE?

Sim, a empresa que não é MEI é obrigada a fazer DRE ao fim de cada exercício. O Código Civil, no artigo 1.179, diz que “o empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade” e a levantar anualmente o balanço patrimonial “e o de resultado econômico”.

O Simples Nacional não elimina essa obrigação, apenas permite simplificar. A Lei Complementar 123/2006, no art. 27, diz que as microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples “poderão, opcionalmente, adotar contabilidade simplificada para os registros e controles das operações realizadas”. Segundo Júlio César Zanluca, do Portal de Contabilidade, a contabilidade simplificada não desobriga a ME e a EPP da escrituração por competência.

A DRE também pesa no bolso do sócio. O art. 14 da LC 123 limita a isenção de IR sobre lucros distribuídos a um valor presumido, e o § 2º libera o limite quando a empresa mantém escrituração e evidencia lucro maior.

Regra O que exige Quem está sujeito Base legal
Estrutura da DRE Receita bruta, deduções, receita líquida, custo, lucro bruto, despesas, resultado operacional, lucro líquido Sociedades por ações, e a estrutura é referência para as demais Lei 6.404/1976, art. 187
Regime de competência Receitas e despesas contadas no período em que acontecem, não quando o dinheiro entra ou sai Todas as demonstrações, exceto a de fluxos de caixa Lei 6.404/1976, art. 187, § 1º; CPC 26, item 27
Balanço e resultado anual Contabilidade com escrituração uniforme e DRE anual Empresário e sociedade empresária, exceto pequeno empresário do art. 970 Código Civil, art. 1.179
Modelo para microentidade Balanço, Demonstração do Resultado e Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados Receita bruta até R$ 4.800.000,00 ITG 1000 e NBC TG 1002, CFC
Modelo para pequena empresa Balanço, DRE, mutações do patrimônio, fluxos de caixa e notas explicativas Receita acima de R$ 4.800.000,00 até R$ 78.000.000,00 ITG 1000 e NBC TG 1001, CFC
Contabilidade simplificada Registros simplificados, sem dispensa da escrituração ME e EPP do Simples Nacional LC 123/2006, art. 27
Lucro isento acima do presumido Escrituração contábil que evidencie o lucro Sócios de ME e EPP do Simples LC 123/2006, art. 14, § 2º

Fonte: elaboração própria com base na Lei 6.404/1976, no Código Civil, na LC 123/2006, no CPC 26 e na ITG 1000 do CFC.

O CFC separou as regras por tamanho. Segundo o Conselho Federal de Contabilidade, a NBC TG 1002 vale para microentidades com receita de até R$ 4,8 milhões e a NBC TG 1001 para pequenas empresas de R$ 4,8 milhões até R$ 78 milhões, ambas em vigor desde 1º de janeiro de 2023.

A Instrução Normativa RFB 2.003/2021 dispensa as empresas do Simples de transmitir a Escrituração Contábil Digital (ECD), o que não dispensa a contabilidade.

Qual a diferença entre DRE e fluxo de caixa?

A DRE mede se o negócio deu lucro; o fluxo de caixa mede se sobrou dinheiro na conta. A diferença está no regime. O art. 187 da Lei 6.404/1976 manda computar na DRE “as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda”, e o CPC 26, no item 27, determina que as demonstrações usem o regime de competência, “exceto para a demonstração dos fluxos de caixa”, que segue o regime de caixa.

Na prática, uma venda de dezembro parcelada no cartão entra inteira na DRE de dezembro, mas vai pingando no caixa de janeiro a abril. O aluguel de dezembro pago em 5 de janeiro é despesa de dezembro na DRE e saída de janeiro no caixa.

Há movimentos que aparecem só em um dos dois relatórios. A parcela de um empréstimo tem duas partes: os juros são despesa financeira na DRE, e a amortização do principal só sai do caixa, sem passar pela DRE. A retirada de lucro pelo sócio também sai do caixa sem ser despesa.

Por isso a empresa pode ter lucro e faltar dinheiro, ou ter dinheiro e estar no prejuízo. O Sebrae oferece uma ferramenta gratuita de fluxo de caixa online que registra entradas, saídas, formas de pagamento e parcelas, e ela convive com a DRE: uma não substitui a outra.

Como a DRE é feita hoje no pequeno negócio e onde falha?

Na maioria dos pequenos negócios, a DRE simplesmente não existe no dia a dia. O dono olha o extrato, vê o saldo e conclui se o mês foi bom. Quando existe, costuma ser montada no fim do ano pelo contador, tarde demais para mudar preço. Os gargalos mais comuns são estes:

  • A conta pessoal e a conta da empresa misturadas fazem despesas da casa entrarem no negócio, e receitas do negócio ficarem de fora.
  • O regime de caixa usado no lugar do regime de competência faz o mês de muita venda parcelada parecer ruim e o mês de muito recebimento parecer ótimo, sem relação com o desempenho real.
  • O custo da mercadoria vendida é substituído pelo valor das compras do mês, e a DRE passa a registrar estoque parado como se fosse custo.
  • O pró-labore do dono não é lançado, e a DRE mostra um lucro que, na verdade, é o salário que o dono deixou de se pagar.
  • As taxas de cartão, as comissões de marketplace e o frete ficam escondidos no valor líquido recebido, e a receita bruta aparece menor do que foi.

A ferramenta usada pesa menos do que a rotina. Segundo Simone Moura, analista de negócios do Sebrae-SP, o curso de gestão financeira da instituição foi pensado para quem quer “organizar o caixa da empresa, analisar a DRE e formar corretamente o preço de venda”.

Como fazer DRE na pequena empresa passo a passo?

Fazer a DRE de uma pequena empresa exige três coisas: registros separados da vida pessoal, categorias fixas de receita e despesa, e disciplina de fechar o mês. Os passos seguem o art. 187 da Lei 6.404/1976 e o modelo da ITG 1000.

  1. Separe as contas antes de começar. Abra ou use uma conta bancária só da empresa e defina um pró-labore fixo para o dono, pago dessa conta.
  2. Defina o período e o regime. Feche a DRE por mês, do dia 1 ao último dia, e lance cada venda e cada despesa no mês em que aconteceu, não no mês em que o dinheiro entrou ou saiu.
  3. Levante a receita bruta. Some todas as vendas e serviços do mês pelo valor cheio das notas fiscais, antes de taxas de cartão ou de marketplace.
  4. Tire as deduções da receita. Subtraia devoluções, vendas canceladas, descontos incondicionais e os tributos sobre a venda, como o DAS do Simples Nacional. O resultado é a receita líquida.
  5. Calcule o custo do que foi vendido. No comércio, é o custo das mercadorias vendidas (estoque inicial mais compras menos estoque final); na indústria, o custo dos produtos vendidos; nos serviços, o custo direto de quem executou. Receita líquida menos esse custo dá o lucro bruto.
  6. Lance as despesas operacionais em categorias fixas. Separe despesas com vendas (comissões, taxas de cartão, frete, anúncios) das despesas administrativas (aluguel, folha e encargos, pró-labore, contador, sistemas, energia). O lucro bruto menos essas despesas dá o resultado antes do resultado financeiro.
  7. Some o resultado financeiro. Lance juros de empréstimos, tarifas e multas como despesas financeiras e rendimentos de aplicações como receitas financeiras. O saldo ajusta o resultado e leva ao lucro ou prejuízo líquido do período.
  8. Compare e registre a decisão. Coloque o mês ao lado dos três anteriores, calcule as margens e anote uma ação concreta (renegociar fornecedor, rever preço, cortar despesa).

Quem organiza a rotina de controles pode aproveitar as dicas de gestão e produtividade no pequeno negócio para encaixar o fechamento do mês na agenda.

Como fica uma DRE na prática, com exemplo?

O exemplo a seguir é hipotético, criado apenas para mostrar o cálculo: uma loja de roupas no Simples Nacional, em um mês qualquer. A alíquota de 6% do DAS é ilustrativa; a alíquota real depende do anexo e da faixa de faturamento, explicados no guia do Simples Nacional com anexos, tabelas e cálculo.

Linha da DRE (exemplo hipotético) Valor no mês % da receita bruta O que entra
Receita bruta de vendas R$ 50.000 100% Todas as notas fiscais do mês
(-) Deduções da receita R$ 4.000 8,0% Devoluções de R$ 1.000 e DAS hipotético de R$ 3.000
(=) Receita líquida R$ 46.000 92,0% O que a empresa ganhou pelas vendas
(-) Custo das mercadorias vendidas R$ 20.000 40,0% Custo das peças que saíram do estoque
(=) Lucro bruto R$ 26.000 52,0% O que sobra para pagar a operação
(-) Despesas operacionais R$ 22.000 44,0% Vendas R$ 3.500 e administrativas R$ 18.500, com pró-labore
(-) Resultado financeiro R$ 700 1,4% Juros de R$ 800 menos rendimento de R$ 100
(=) Lucro líquido do período R$ 3.300 6,6% O que o negócio realmente ganhou

Fonte: elaboração própria, valores hipotéticos, estrutura baseada na Lei 6.404/1976, art. 187, e na ITG 1000 do CFC.

A loja hipotética teve lucro líquido de R$ 3.300, ou 6,6% da receita bruta: para cada R$ 100 vendidos, sobraram R$ 6,60 depois de pagar tudo, inclusive o salário do dono.

Olhe também para onde o dinheiro vai. O custo das mercadorias leva 40% da receita e as despesas operacionais levam 44%. Um aumento de 5% no preço das peças, sem repasse, tiraria R$ 1.000 do lucro bruto e derrubaria o lucro líquido para R$ 2.300; é por isso que a DRE e a precificação de produtos e serviços com ponto de equilíbrio andam juntas.

Por fim, confronte com o caixa. No mesmo mês hipotético, se R$ 18.000 das vendas foram parceladas no cartão, se a loja comprou R$ 10.000 de estoque extra para a próxima estação e pagou R$ 2.500 de amortização de empréstimo, a conta bancária pode terminar o mês no vermelho, com a DRE mostrando lucro.

Quais indicadores tirar da DRE para saber se o negócio dá lucro?

Os indicadores da DRE comparam cada linha com a receita e mostram a saúde do negócio em percentuais que dá para acompanhar mês a mês. O Sebrae-SP recomenda dois olhares: a análise vertical, que calcula o peso de cada conta sobre o faturamento, e a análise horizontal, que compara a mesma conta ao longo do tempo.

Quais são as margens da DRE?

A margem bruta é o lucro bruto dividido pela receita líquida; no exemplo hipotético, R$ 26.000 divididos por R$ 46.000 dão 56,5%. A margem bruta mostra se o preço cobre com folga o custo do produto.

A margem de contribuição é a receita menos o custo e as despesas variáveis (impostos, comissões, taxas de cartão, frete). O Sebrae-SP define a margem de contribuição como o valor que sobra das vendas para pagar as despesas fixas. A margem líquida, por fim, é o lucro líquido dividido pela receita; no exemplo, R$ 3.300 sobre R$ 50.000 dão 6,6% da receita bruta, ou 7,2% da receita líquida. Informe sempre a base usada.

Como saber se o lucro é suficiente?

Lucro positivo não significa lucro suficiente: ele precisa remunerar o dinheiro investido e formar reserva. Compare o lucro anual com o capital investido e com o que esse capital renderia em uma aplicação conservadora; se a empresa rende menos que a aplicação, o modelo precisa de ajuste.

Três meses seguidos de margem líquida caindo pedem ação. Segundo Valdir Oliveira, gerente de Capitalização e Serviços Financeiros do Sebrae, “o planejamento financeiro sistemático é um dos pilares para a sustentabilidade” das micro e pequenas empresas.

Quais erros mais comuns na DRE da pequena empresa?

Os erros na DRE da pequena empresa quase sempre nascem de classificação: o lançamento existe, mas está na linha errada ou no mês errado. Os mais frequentes, e o que cada um provoca, são:

  • Lançar a compra de estoque como custo do mês faz a DRE mostrar prejuízo em meses de reposição e lucro inflado nos meses seguintes.
  • Esquecer o pró-labore infla o lucro líquido pelo valor do salário do dono e esconde um negócio que, na verdade, não se paga.
  • Tratar a amortização do empréstimo como despesa reduz o lucro de forma artificial, enquanto deixar os juros de fora faz o custo do crédito sumir da análise.
  • Tratar a retirada de lucro como despesa derruba o resultado e confunde a distribuição, que o art. 14 da LC 123 trata de forma diferente para fins de Imposto de Renda.
  • Registrar a receita pelo valor líquido do cartão ou do marketplace esconde as taxas, que deveriam aparecer como despesa com vendas,.
  • Não conferir a DRE gerencial com a contabilidade deixa diferenças de classificação se acumularem até o balanço anual, quando corrigir custa mais caro.

Perguntas frequentes sobre DRE para pequena empresa

O que significa DRE?

DRE significa Demonstração do Resultado do Exercício. A DRE é o relatório que mostra receitas, custos e despesas de um período e o resultado final, lucro ou prejuízo. A estrutura da DRE está no art. 187 da Lei 6.404/1976.

MEI precisa fazer DRE?

Não há exigência de DRE contábil para o MEI na lista de obrigações citadas neste guia, e o art. 1.179 do Código Civil dispensa o pequeno empresário do art. 970. Mesmo assim, uma DRE gerencial simples ajuda o MEI a saber se o negócio dá lucro.

A microempresa do Simples Nacional é obrigada a ter DRE?

Sim. A microempresa do Simples Nacional continua sujeita ao art. 1.179 do Código Civil, que exige contabilidade e o balanço de resultado econômico anual. O art. 27 da LC 123/2006 permite apenas contabilidade simplificada, sem dispensar a escrituração.

Qual a diferença entre DRE e balanço patrimonial?

A DRE mostra o desempenho de um período, com receitas, custos, despesas e lucro. O balanço patrimonial mostra a posição da empresa em uma data, com bens, direitos, dívidas e patrimônio líquido.

De quanto em quanto tempo devo fazer a DRE?

A DRE contábil é obrigatória ao fim de cada exercício, normalmente anual, conforme o art. 1.179 do Código Civil. Para gestão, a DRE deve ser mensal para corrigir preço e despesa a tempo.

Quem deve fazer a DRE da empresa?

A DRE contábil é responsabilidade do contador, que deve obter carta de responsabilidade da administração, segundo o item 13 da ITG 1000. A DRE gerencial pode ser feita pelo dono ou pelo financeiro, desde que use as mesmas categorias e seja conferida com a contabilidade.

O que entra na receita bruta da DRE?

A receita bruta da DRE reúne todas as vendas de produtos e serviços do período pelo valor cheio das notas fiscais, antes de devoluções, descontos, impostos e taxas de cartão.

O DAS do Simples entra como dedução ou como despesa?

No modelo da ITG 1000, os tributos sobre a receita bruta aparecem como dedução, antes da receita líquida. Como o DAS incide sobre a receita bruta, a prática comum é lançá-lo nessa linha. A classificação final segue o critério do contador.

O que é CMV na DRE?

CMV é o custo das mercadorias vendidas, o valor pago pelas mercadorias que saíram do estoque no período. O CMV não é o total das compras do mês: mercadoria comprada e ainda não vendida continua no estoque, fora da DRE.

Pró-labore entra na DRE?

Sim. O pró-labore é a remuneração do sócio pelo trabalho na empresa e entra na DRE como despesa administrativa. Já a distribuição de lucros não é despesa: ela sai do lucro líquido depois de apurado.

Parcela de empréstimo entra na DRE?

Só em parte. Na parcela de empréstimo, os juros da parcela de empréstimo entram na DRE como despesa financeira. A amortização do principal não é despesa, porque apenas reduz a dívida no balanço.

Posso ter lucro na DRE e caixa negativo?

Sim. A DRE usa o regime de competência e o caixa usa o regime de caixa, como estabelece o item 27 do CPC 26. Vendas parceladas, compra de estoque e amortização de empréstimo tiram dinheiro do caixa sem reduzir o lucro do mês.

Qual margem de lucro é considerada boa?

Não existe uma margem de lucro boa para todos os setores, e este guia não encontrou referência oficial por setor. O caminho seguro é comparar a margem líquida da própria DRE mês a mês e com o retorno que o capital investido teria em aplicação conservadora.

O que é análise vertical da DRE?

A análise vertical da DRE calcula quanto cada linha representa da receita, em percentual. Segundo o Sebrae-SP, ela mostra o peso de cada conta sobre o faturamento. No exemplo hipotético deste guia, o CMV representa 40% da receita bruta.

O que é análise horizontal da DRE?

A análise horizontal da DRE compara a mesma linha em períodos diferentes, como a despesa de aluguel de janeiro, fevereiro e março. O Sebrae-SP recomenda a análise horizontal para acompanhar a evolução do negócio. Ela revela custo subindo mais rápido que a receita.

DRE pode ser feita em planilha?

Sim. A DRE gerencial pode ser feita em planilha, e o Sebrae-SP oferece um modelo com explicação linha a linha. Na pesquisa Hábitos Financeiros 2025, 30% dos donos de pequenos negócios usam planilha para o controle financeiro.

A empresa do Simples precisa entregar a ECD?

Não, em regra. A Instrução Normativa RFB 2.003/2021 dispensa da Escrituração Contábil Digital as empresas do Simples Nacional, salvo a ME ou EPP que recebeu aporte de investidor-anjo. A dispensa não elimina a contabilidade do Código Civil.

A DRE ajuda a distribuir lucro sem imposto?

Sim. O art. 14 da LC 123/2006 isenta de Imposto de Renda o lucro distribuído ao sócio do Simples até um limite presumido. O § 2º permite distribuir acima desse limite quando a empresa mantém escrituração contábil e evidencia lucro maior, e a DRE é a demonstração que evidencia esse lucro.

Qual a diferença entre lucro bruto e lucro líquido?

O lucro bruto é a receita líquida menos o custo do que foi vendido, antes das despesas da operação. O lucro líquido é o que sobra depois de todas as despesas operacionais e do resultado financeiro. Na DRE hipotética deste guia, o lucro bruto é de R$ 26.000 e o lucro líquido, de R$ 3.300.

A DRE serve para pedir crédito no banco?

Sim. Bancos e programas de crédito costumam pedir demonstrações contábeis, e a DRE mostra se a empresa gera resultado para pagar parcelas. O Sebrae lançou a Planejadora Sebrae para apoiar a gestão financeira e a obtenção de crédito.

Conclusão

A DRE é a forma mais direta de responder se a pequena empresa dá lucro: receita bruta, menos deduções, menos custo, menos despesas, igual a lucro ou prejuízo, sempre pelo regime de competência que o art. 187 da Lei 6.404/1976 e o CPC 26 exigem. Com 30% das PMEs sem saber se ganham dinheiro, segundo a Conta Azul, fechar a DRE todo mês já coloca o negócio à frente. Comece hoje: separe as contas, lance o mês passado no modelo deste guia e leve o resultado ao seu contador.

Como citar este artigo

ABNT: ALMEIDA, Rafael. DRE para pequena empresa: como montar, ler o resultado e descobrir se o negócio dá lucro. Montar Próprio Negócio, 22 set. 2026. Disponível em: https://montarproprionegocio.com.br/dre-para-pequena-empresa/. Acesso em: 22 set. 2026.

APA: Almeida, R. (2026, 22 de setembro). DRE para pequena empresa: como montar, ler o resultado e descobrir se o negócio dá lucro. Montar Próprio Negócio. https://montarproprionegocio.com.br/dre-para-pequena-empresa/

Referências

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