
Vender em feiras e eventos dá lucro quando o expositor conhece o custo total antes de reservar o estande, sai formalizado (MEI ou empresa) com a nota fiscal certa para venda fora do estabelecimento, cumpre as regras sanitárias se vender comida e aceita cartão por aproximação e Pix. O retorno se calcula comparando a margem de contribuição das vendas do evento com todos os custos de participação.
Pontos-chave
- Segundo o Barômetro Eventos B2B da UBRAFE, São Paulo recebeu 1.511 eventos de grande porte em 2025, alta de 22% sobre 2024, com impacto econômico de R$ 14 bilhões.
- Na Feira do Empreendedor 2026 do Sebrae-SP, os estandes da área Feirinha começam em R$ 1.190.
- Para vender fora do estabelecimento, a Sefaz de Pernambuco exige NF-e de remessa e aceita NF-e ou NFC-e na venda.
- A RDC 656/2022 da Anvisa vale para eventos com público diário superior a 1.000 pessoas e manda manter alimentos quentes acima de 60 °C por no máximo 6 horas.
- Em São Paulo, o Decreto 48.172/2007 exige do feirante balança aferida pelo IPEM-SP a cada 12 meses.
- Segundo a Abecs, o pagamento por aproximação respondeu por 73,6% das compras com cartão em 2025, contra 5,4% em dezembro de 2020.
- O MEI paga DAS de R$ 82,05 por mês em 2026 no comércio e pode faturar até R$ 81.000,00 por ano, segundo o Portal do Empreendedor.
O que significa vender em feiras e eventos e quais formatos existem?
Vender em feiras e eventos é levar produtos ou serviços para um ponto de venda temporário, montado em espaço público ou privado, por um período definido, onde o público já chega com intenção de comprar ou de conhecer novidades. O pequeno negócio troca o custo fixo de uma loja por um custo pontual e ganha acesso concentrado a clientes.
Uma feira de bairro, um festival gastronômico e uma feira de negócios num pavilhão têm regras, público e custos diferentes, e o erro mais caro é tratar todos como iguais.
Qual a diferença entre feira livre, feira de negócios e evento de consumo?
A feira livre é um equipamento público de abastecimento. O Decreto 48.172/2007 da Prefeitura de São Paulo define feiras livres como “equipamentos administrados pela Municipalidade, com a função de suplementar o abastecimento da região”. Ela funciona em dias e horários fixos, com matrícula do feirante e ponto permanente, e em São Paulo a comercialização vai das 8h às 14h, segundo o artigo 5º do decreto, na redação de 2022.
A feira de negócios (B2B) acontece em pavilhões, reúne empresas de um setor e gera contatos, pedidos e parcerias, com venda imediata menor. O evento de consumo (B2C), como feiras de artesanato, festivais, feiras de moda autoral e bazares, é voltado ao consumidor final e vive da venda no ato. A Feira do Empreendedor do Sebrae-SP mistura os dois modelos, com espaços para MEIs e micro e pequenas empresas.
Qual ocupação do MEI serve para quem vende em feira?
O MEI (Microempreendedor Individual) é o regime simplificado para quem fatura até R$ 81.000,00 por ano e tem no máximo um empregado, segundo o Portal do Empreendedor. Não existe uma ocupação genérica “feirante”: o expositor escolhe a ocupação pelo que vende. Para comida pronta vendida de forma itinerante, a lista oficial traz “vendedor(a) ambulante de produtos alimentícios independente” e “churrasqueiro(a) ambulante independente”, ambas no CNAE 5612-1/00.
Quem revende bebidas, pães ou laticínios usa ocupações de comércio, como “comerciante de bebidas independente” (4723-7/00), “comerciante de produtos de panificação independente” (4721-1/02) e “comerciante de laticínios independente” (4721-1/03). O passo a passo para formalizar e escolher a ocupação está no guia de como abrir MEI em 2026 com custos e limite de faturamento.
Quanto custa participar de uma feira e por que o setor vale o investimento?
O setor de feiras cresce em ritmo forte no Brasil. Segundo o Barômetro Eventos B2B da UBRAFE (União Brasileira dos Promotores de Feiras), divulgado em fevereiro de 2026, São Paulo teve 1.511 eventos de grande porte em 2025, com 8 milhões de participantes únicos e R$ 14 bilhões de impacto econômico. As feiras de negócios concentraram 6 milhões de pessoas, ou 75% do público.
O ano anterior já tinha sido recorde. A UBRAFE registrou 1.233 eventos em 2024, com 8,029 milhões de visitantes únicos e R$ 12 bilhões de impacto, e classificou o resultado como o melhor dos últimos 10 anos. Paulo Octávio Pereira de Almeida, diretor-executivo da UBRAFE, resumiu: “Historicamente não vimos nada igual aos resultados de 2024.”
Em março de 2026, na celebração dos 40 anos da entidade, Paulo Ventura, presidente do conselho da UBRAFE, afirmou que “o setor de feiras e eventos de negócios se consolidou como poderosa plataforma de geração” de negócios, e a entidade projetou expansão de 5% a 7% ao ano. Para o pequeno expositor, a conta começa no preço do espaço: na Feira do Empreendedor 2026, o Sebrae-SP oferece estandes a partir de R$ 1.190, em módulos de 2 m², 6 m², 12 m² e 25 m².
| Indicador | Número | Ano de referência | Fonte |
|---|---|---|---|
| Eventos de grande porte em São Paulo | 1.511 (alta de 22%) | 2025 | UBRAFE, Barômetro Eventos B2B |
| Impacto econômico dos eventos em São Paulo | R$ 14 bilhões | 2025 | UBRAFE, Barômetro Eventos B2B |
| Visitantes únicos em eventos de São Paulo | 8,029 milhões | 2024 | UBRAFE |
| Expositores na Feira do Empreendedor | 962 | 2025 | Sebrae-SP |
| Estande de menor valor na Feira do Empreendedor | a partir de R$ 1.190 | 2026 | Sebrae-SP |
| Participação da aproximação nas compras com cartão | 73,6% | 2025 | Abecs |
| DAS mensal do MEI de comércio | R$ 82,05 | 2026 | Portal do Empreendedor |
Fonte: UBRAFE (2025 e 2026), Sebrae-SP (2026), Abecs (2026) e Portal do Empreendedor (2026).
O preço do estande raramente é o maior custo: transporte, hospedagem, equipe, material e amostras também entram na conta.
Quais licenças e notas fiscais são exigidas para vender em feiras e eventos?
As exigências para vender em feiras e eventos se dividem em três camadas: a autorização para ocupar o espaço (prefeitura ou organizador), a documentação fiscal da mercadoria (Secretaria da Fazenda do estado) e, para quem vende alimentos, as regras sanitárias (Anvisa e vigilância municipal). Cada município e cada estado têm regulamento próprio, e os exemplos abaixo vêm de normas oficiais.
Em feira livre de São Paulo, a matrícula exige RG, CPF, comprovante de residência, exame médico e CNPJ compatível com o ramo, segundo a Prefeitura. O artigo 13 do Decreto 48.172/2007 reserva a matrícula a pessoas jurídicas, com exceção para pessoas físicas com deficiência, mobilidade reduzida ou idosas. O portal Tô Legal informa que o Termo de Permissão de Uso é revalidado todo ano e que não há autorização temporária para comércio em feira livre.
| Exigência | O que diz a regra | Quem cobra | Fonte |
|---|---|---|---|
| Permissão para feira livre | TPU obrigatório, CCM válido, revalidação anual | Prefeitura de São Paulo | Tô Legal |
| Balança do feirante | Local visível e aferição pelo IPEM-SP a cada 12 meses | Prefeitura de São Paulo | Decreto 48.172/2007, art. 24 |
| Mercadoria levada para vender fora | NF-e de remessa, NF-e ou NFC-e na venda, NF-e de retorno | Sefaz-PE | Informativo Vendas fora do estabelecimento |
| Alimentos em evento de massa | Evento com mais de 1.000 pessoas por dia; quentes acima de 60 °C por até 6 horas | Anvisa e vigilância local | RDC 656/2022 |
| Licença sanitária de evento no Rio | LSAT Eventos com prazo máximo de 180 dias e CPE aprovada | IVISA-Rio | Portal 1746 |
| Nota fiscal do MEI | Obrigatória em vendas para pessoa jurídica | Receita Federal e Sefaz | Portal do Empreendedor |
Fonte: elaboração própria com base em Prefeitura de São Paulo, Sefaz-PE, Anvisa, Prefeitura do Rio de Janeiro e Portal do Empreendedor.
Como emitir nota fiscal em evento fora do estabelecimento?
A venda fora do estabelecimento é a operação em que o contribuinte leva a mercadoria até o comprador eventual, sem destinatário certo no momento da saída. A Sefaz de Pernambuco descreve o roteiro em três notas: NF-e de remessa sem destaque de ICMS; NF-e ou NFC-e em cada venda; e NF-e de entrada no retorno do que sobrou, com prazo de até 30 dias para a remessa.
Quem vende em outro estado deve verificar antes se precisa de inscrição estadual lá, orientou a Sefaz de São Paulo na Resposta à Consulta 30679/2024. Quem não tem inscrição estadual tem a NF-e avulsa como alternativa: a Sefaz do Amazonas oferece o serviço a “Pessoa Física, MEI, Prestador de Serviço, Produtor Rural e Artesão”.
O que a Vigilância Sanitária exige de quem vende comida em evento?
A RDC 656/2022 da Anvisa é a norma federal para serviços de alimentação em eventos de massa, definidos como “atividade coletiva de natureza cultural, esportiva, comercial, religiosa, social ou política, realizada por tempo pré-determinado”, com público diário superior a 1.000 pessoas. A norma exige água potável corrente, cocção a no mínimo 70 °C, manipuladores capacitados e lixeiras com tampa sem acionamento manual.
A regra local define o documento. No Rio de Janeiro, o IVISA-Rio emite a LSAT Eventos, com validade máxima de 180 dias e liberação eletrônica em até 5 dias depois da compensação da taxa. Em São Paulo, a Secretaria Municipal da Saúde informa que não concede licença para eventos temporários: o fornecedor precisa estar licenciado no município onde está instalado, e o MEI é dispensado da licença sanitária de funcionamento pela Resolução CGSIM 48/2018.
Onde o pequeno expositor costuma errar na preparação?
A preparação é a fase que mais separa quem lucra de quem só paga a conta. Evandro Di Todaro, consultor de negócios do Sebrae-SP, apontou o problema numa palestra sobre feiras em 2025: “Às vezes o empreendedor até investe para participar de um evento, mas não se organiza com antecedência.”
A apresentação dos produtos pesa tanto quanto o estande. Em acessórios, cartelas e embalagens com a marca mudam a percepção de valor na banca, como mostramos no guia sobre como montar um negócio de semijoias.
Os gargalos se repetem do bazar de bairro ao pavilhão:
- Orçamento incompleto: o expositor soma só o estande, esquece frete, hospedagem e ajudante, e fecha no vermelho mesmo vendendo bem.
- Estoque dimensionado no olho: sem histórico, o feirante leva produto demais (capital parado) ou de menos (vendas perdidas).
- Documentação deixada para a véspera: nota de remessa, licença sanitária e permissão municipal têm prazos, e a LSAT do Rio, por exemplo, depende de Consulta Prévia de Eventos aprovada.
- Pagamento sem teste: maquininha sem bateria ou sem sinal no pavilhão trava a fila no pico do movimento.
- Preço sem margem de evento: o produto sai com o preço da loja e cada venda contribui menos do que o necessário para pagar o estande.
- Nenhum registro de contatos: o evento termina sem lista de clientes, e o retorno fica limitado ao caixa do dia.
Como se preparar para vender em uma feira, passo a passo?
A preparação para vender em uma feira começa semanas antes da montagem e termina quando o expositor fecha as contas do evento.
- Escolha o evento pelo público, não pelo tamanho. Peça ao organizador o perfil dos visitantes da edição anterior, o número de expositores e o preço por metro quadrado.
- Monte o orçamento completo e o ponto de equilíbrio. Some estande, taxas do organizador, transporte, hospedagem, alimentação, equipe, material gráfico, amostras e a taxa da maquininha. Divida o total pela margem de cada venda para achar o ponto de equilíbrio.
- Formalize e confira a ocupação. Quem ainda vende sem CNPJ deve abrir o MEI na ocupação compatível com o que vende, porque organizadores e prefeituras pedem CNPJ e porque vendas a empresas exigem nota fiscal. Confirme com a Sefaz do seu estado como emitir a remessa e as notas de venda fora do estabelecimento.
- Resolva licenças com antecedência. Pergunte ao organizador e à prefeitura quais documentos são exigidos. Quem vende alimentos precisa seguir a RDC 656/2022 em eventos com mais de 1.000 pessoas por dia e a norma sanitária local nos demais.
- Dimensione o estoque e prepare o estande. Use as vendas de eventos anteriores como base e leve reserva dos produtos campeões. Deixe preço visível e um ponto claro de pagamento.
- Teste os meios de pagamento. Leve duas maquininhas, confira o sinal no local, imprima o QR Code do Pix e leve troco. O pagamento por aproximação respondeu por 73,6% das compras com cartão em 2025, segundo a Abecs, e a fila anda mais rápido quando esse recurso funciona.
- Registre vendas e contatos durante o evento. Anote produto, valor e forma de pagamento de cada venda, e colete contatos com consentimento. Um dos aplicativos grátis de controle de vendas e estoque substitui o caderno e já entrega o relatório do dia.
- Feche as contas em até uma semana. Emita as notas de retorno do estoque que voltou, some as vendas por forma de pagamento, desconte os custos e calcule o retorno. Guarde as notas fiscais de compra e venda por 5 anos, prazo exigido do MEI pelo Portal do Empreendedor.
Como escolher a maquininha e as formas de pagamento para o evento?
A escolha do meio de pagamento para feira depende de três fatores: conexão disponível no local, velocidade na fila e custo por transação. Segundo a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), os pagamentos com cartão movimentaram R$ 4,5 trilhões no Brasil em 2025, alta de 10,1%, e as compras por aproximação somaram R$ 1,9 trilhão, crescimento de 31%.
Giancarlo Greco, presidente da Abecs, avaliou que “a frequência de uso e a presença do cartão na carteira do portador é alta”. Quem aceita só dinheiro perde venda.
| Meio de pagamento | Ponto forte na feira | Ponto de atenção | Quando priorizar |
|---|---|---|---|
| Maquininha com chip de celular | Aceita crédito, débito e aproximação sem depender do Wi-Fi do local | Sinal fraco em pavilhões e bateria no fim do dia | Evento de consumo com fila e ticket variado |
| Pix por QR Code impresso | Não depende de aparelho do vendedor e o dinheiro cai na conta | Conferir o recebimento antes de entregar o produto | Ticket baixo e público jovem |
| Venda por aproximação no celular do vendedor | Dispensa aparelho extra e cabe no bolso | Consome bateria e exige celular compatível | Segundo caixa em horário de pico |
| Dinheiro | Funciona sem sinal e sem taxa | Exige troco, cofre e conferência do caixa | Feiras livres e cidades pequenas |
| Link de pagamento ou pedido para entrega | Fecha venda de item que não coube no estoque | Venda fica para depois e depende de logística | Feira de negócios e produtos sob encomenda |
Fonte: elaboração própria com base em Abecs (2026).
A taxa de cada adquirente muda por plano e prazo de recebimento e deve entrar no cálculo da margem de cada venda.
Quais erros mais comuns derrubam o lucro na feira?
Os erros que derrubam o lucro em feiras e eventos são decisões tomadas antes do primeiro cliente chegar, cada uma com consequência no caixa ou no risco jurídico:
- Vender comida sem seguir a norma sanitária: a RDC 656/2022 exige que documentação e instalações sejam avaliadas previamente pela autoridade sanitária local, e o descumprimento leva à interdição da barraca no meio do evento.
- Transportar mercadoria sem nota de remessa: a fiscalização trata o estoque sem documento como mercadoria irregular, com risco de apreensão e autuação pela Sefaz do estado.
- Levar balança sem aferição em feira livre de São Paulo: o Decreto 48.172/2007 exige aferição pelo IPEM-SP a cada 12 meses, e o artigo 31 prevê advertência, multa, suspensão ou revogação da permissão.
- Ultrapassar o limite do MEI sem perceber: um evento muito bom soma faturamento que, acumulado no ano, empurra o negócio além dos R$ 81.000,00 permitidos e força o desenquadramento.
- Precificar sem incluir o custo do evento: cada venda cobre o custo do produto, mas não o estande, e o expositor vende o estoque inteiro sem pagar a participação.
- Deixar de medir o retorno: sem registrar vendas, contatos e pedidos posteriores, o expositor repete o evento errado ou abandona o evento certo, sempre por impressão.
Como calcular o retorno de uma feira com um exemplo prático?
O retorno de uma feira é a relação entre o que sobra das vendas depois de pagar o produto e o total investido para participar. A fórmula é: retorno (%) = (margem de contribuição total menos custos do evento) dividido pelos custos do evento, vezes 100. Margem de contribuição é o preço de venda menos custo do produto, impostos e taxa do meio de pagamento, e o método para chegar nesse número está no guia de como precificar produtos e serviços com ponto de equilíbrio.
Veja um exemplo com valores ilustrativos. Um expositor reserva o estande de menor valor da Feira do Empreendedor 2026 (R$ 1.190) e soma R$ 600 de transporte e hospedagem, R$ 300 de material e amostras e R$ 400 de ajudante. O custo do evento fica em R$ 2.490.
O produto sai por R$ 60, com margem de contribuição de 50%, ou R$ 30 por unidade. O ponto de equilíbrio é R$ 2.490 dividido por R$ 30, ou 83 vendas. Se o expositor vender 120 unidades, fatura R$ 7.200, gera R$ 3.600 de margem e tem lucro de R$ 1.110, um retorno de 44,6% sobre o investimento.
Em feiras de negócios, some ao cálculo os pedidos fechados nas semanas seguintes com clientes que vieram do evento.
Vai distribuir brindes no estande de uma rede? Veja como a compra coletiva entre franqueados reduz o custo por unidade.
Perguntas frequentes sobre como vender em feiras
Preciso ter CNPJ para vender em feiras?
Depende da feira, mas a maioria exige. Em São Paulo, o Decreto 48.172/2007 reserva a matrícula de feira livre a pessoas jurídicas, com exceção para pessoas físicas com deficiência, mobilidade reduzida ou idosas. Organizadores de eventos privados também pedem CNPJ na inscrição, e o MEI é o caminho mais simples para conseguir um.
O MEI pode vender em feiras e eventos?
Sim. O MEI pode vender em feiras e eventos desde que a ocupação registrada corresponda ao que ele vende. A lista oficial traz, por exemplo, “vendedor(a) ambulante de produtos alimentícios independente” no CNAE 5612-1/00. O MEI precisa respeitar o limite de R$ 81.000,00 de faturamento anual e as regras do município.
Quanto custa um estande em feira?
O preço varia pelo evento e pelo tamanho do espaço. Na Feira do Empreendedor 2026 do Sebrae-SP, os estandes começam em R$ 1.190 na área Feirinha, com módulos de 2 m², 6 m², 12 m² e 25 m² e planos com desconto para micro e pequenas empresas.
O MEI precisa emitir nota fiscal para cada venda na feira?
Não em toda venda. Segundo o Portal do Empreendedor, o MEI é obrigado a emitir nota fiscal quando vende para pessoas jurídicas. Nas vendas ao consumidor pessoa física, o MEI registra as receitas no relatório mensal e guarda as notas de compra e venda por 5 anos, mas deve confirmar as regras estaduais da Sefaz.
Qual nota fiscal usar para levar mercadoria a um evento?
Use a NF-e de remessa para venda fora do estabelecimento. Segundo a Sefaz de Pernambuco, a remessa sai com NF-e sem destaque de ICMS, cada venda recebe NF-e ou NFC-e, e o que sobra volta com NF-e de entrada. As regras variam por estado, e a consulta à Sefaz local antes do evento evita autuação.
Posso emitir NFC-e em uma feira?
Sim, em estados que permitem. A Sefaz de Pernambuco aceita NF-e ou NFC-e nas vendas efetivas fora do estabelecimento. A emissão depende das regras de credenciamento da Sefaz de cada estado e de um sistema emissor, que em feiras roda em celular, tablet ou maquininha com emissor integrado.
O que é nota fiscal avulsa e quem pode usar?
A nota fiscal avulsa é o documento emitido pela própria Secretaria da Fazenda para quem não tem inscrição estadual. A Sefaz do Amazonas oferece o serviço a pessoa física, MEI, prestador de serviço, produtor rural e artesão. Em Santa Catarina, a NFA-e para não contribuintes é emitida com conta gov.br ou certificado digital.
Preciso de inscrição estadual em outro estado para vender numa feira?
Talvez. Na Resposta à Consulta 30679/2024, a Sefaz de São Paulo orientou o contribuinte que levaria produtos a uma feira em Goiás a verificar primeiro se o estado de destino exige inscrição. Sem essa exigência, a operação segue as regras de São Paulo, com NF-e de remessa, documento de venda e NF-e de retorno.
Quem vende comida em evento precisa de licença sanitária?
Na maioria dos casos, sim, mas a regra é municipal. No Rio de Janeiro, o IVISA-Rio exige a LSAT Eventos, com validade máxima de 180 dias. Em São Paulo, a Vigilância Sanitária não concede licença para evento temporário e exige que o fornecedor esteja licenciado no município onde está instalado.
Quando a RDC 656/2022 da Anvisa se aplica?
A RDC 656/2022 se aplica a serviços de alimentação em eventos públicos ou privados com público diário superior a 1.000 pessoas. Ela vale para eventos culturais, esportivos, comerciais, religiosos, sociais e políticos com tempo pré-determinado, e fixa regras de água potável, temperatura, higiene das mãos, capacitação de manipuladores e descarte de resíduos.
Qual temperatura os alimentos devem ter em uma barraca de evento?
Pela RDC 656/2022, alimentos quentes ficam acima de 60 °C por no máximo 6 horas, e alimentos refrigerados ficam abaixo de 5 °C por no máximo 5 dias. A cocção precisa atingir no mínimo 70 °C. Leve termômetro para a barraca.
Como funciona a permissão para vender em feira livre em São Paulo?
A venda em feira livre de São Paulo exige o Termo de Permissão de Uso (TPU), emitido pelo portal Tô Legal. O interessado precisa de CCM válido, paga preço público por guia DAMSP e revalida a permissão todo ano. A Prefeitura informa que não existe autorização temporária para comércio em feira livre.
Qual o horário de funcionamento das feiras livres em São Paulo?
Pelo artigo 5º do Decreto 48.172/2007, na redação do Decreto 61.775/2022, o feirante descarrega e monta a barraca das 7h às 8h, vende das 8h às 14h e desmonta das 14h às 14h45.
Quanto o MEI paga de imposto por mês em 2026?
Em 2026, o MEI de comércio ou indústria paga DAS de R$ 82,05 por mês, o de serviços paga R$ 86,05 e o de comércio e serviços paga R$ 87,05, segundo o Portal do Empreendedor. O valor é fixo, independe do faturamento do mês e inclui a contribuição ao INSS.
Vale a pena aceitar cartão por aproximação na feira?
Sim. Segundo a Abecs, o pagamento por aproximação respondeu por 73,6% das compras com cartão em 2025 e movimentou R$ 1,9 trilhão, alta de 31%. Em feira, a aproximação reduz o tempo de cada venda e ajuda a fila a andar nos horários de maior movimento.
Quantas maquininhas levar para um evento?
Leve pelo menos duas formas de receber cartão, por exemplo duas maquininhas ou uma maquininha e a venda por aproximação no celular. Pavilhões fechados costumam ter sinal fraco, e a bateria acaba no fim do dia.
Como calcular o ponto de equilíbrio de uma feira?
Divida o custo total do evento pela margem de contribuição de cada venda. Se a participação custa R$ 2.490 e cada unidade deixa R$ 30 de margem, o ponto de equilíbrio é de 83 vendas. Só a partir da 84ª venda o evento começa a gerar lucro para o expositor.
Como medir o retorno de uma feira de negócios?
Some a margem das vendas feitas no evento à margem dos pedidos fechados depois com contatos que vieram da feira, e divida pelo custo de participação. Registre cada contato com origem no evento.
Vender em feira conta para o limite de faturamento do MEI?
Sim. Toda receita de vendas em feiras e eventos entra no faturamento do MEI, que pode chegar a R$ 81.000,00 por ano, com limite proporcional para quem abriu depois de janeiro. O MEI registra essas vendas no relatório mensal de receitas brutas e na declaração anual.
Quanto tempo antes devo me inscrever em uma feira?
Inscreva-se assim que o organizador abrir as vagas, porque os melhores espaços saem primeiro. O Sebrae-SP abriu as inscrições da Feira do Empreendedor 2026 em abril, seis meses antes do evento de outubro. Licenças também têm prazo de análise.
Conclusão
Vender em feiras e eventos é um canal que cresce: a UBRAFE contou 1.511 eventos de grande porte em São Paulo em 2025, 22% a mais que em 2024. Quem transforma esse movimento em lucro orça todos os custos, formaliza o negócio, emite a nota de remessa, cumpre a norma sanitária, aceita aproximação e Pix e mede o retorno pela margem de contribuição. Antes de reservar o próximo estande, calcule o ponto de equilíbrio do evento e comece pela formalização no guia de como abrir MEI.
Como citar este artigo
ABNT: MARTINS, Bruno. Como vender em feiras e eventos: custos do estande, nota fiscal, maquininha e como calcular o retorno. Montar Próprio Negócio, 22 set. 2026. Disponível em: https://montarproprionegocio.com.br/como-vender-em-feiras-e-eventos/. Acesso em: 22 set. 2026.
APA: Martins, B. (2026, 22 de setembro). Como vender em feiras e eventos: custos do estande, nota fiscal, maquininha e como calcular o retorno. Montar Próprio Negócio. https://montarproprionegocio.com.br/como-vender-em-feiras-e-eventos/
Referências
AGÊNCIA SEBRAE DE NOTÍCIAS SP. Descubra como transformar feiras empresariais em oportunidades reais de negócios. ASN São Paulo, 17 jul. 2025. Disponível em: https://sp.agenciasebrae.com.br/cultura-empreendedora/descubra-como-transformar-feiras-empresariais-em-oportunidades-reais-de-negocios/. Acesso em: 22 set. 2026.
AGÊNCIA SEBRAE DE NOTÍCIAS SP. Sebrae-SP abre inscrições para expositores e patrocinadores da Feira do Empreendedor 2026. ASN São Paulo, 1 abr. 2026. Disponível em: https://sp.agenciasebrae.com.br/cultura-empreendedora/sebrae-sp-abre-inscricoes-para-expositores-e-patrocinadores-da-feira-do-empreendedor-2026-2/. Acesso em: 22 set. 2026.
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RDC nº 656, de 24 de março de 2022. Dispõe sobre a prestação de serviços de alimentação em eventos de massa. Diário Oficial da União, 30 mar. 2022. Disponível em: https://ses.sp.bvs.br/wp-content/uploads/2022/03/U_RS-MS-ANVISA-RDC-656_240322.pdf. Acesso em: 22 set. 2026.
AMAZONAS. Secretaria de Estado da Fazenda. Emitir NF-e Avulsa (NFA). Manaus: Sefaz-AM. Disponível em: https://sefaz.am.gov.br/portfolio-servicos/detalhes/1222. Acesso em: 22 set. 2026.
BRASIL. Portal do Empreendedor. Direitos e obrigações do MEI. gov.br. Disponível em: https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor/quero-ser-mei/direitos-e-obrigacoes. Acesso em: 22 set. 2026.
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BRASIL. Portal do Empreendedor. Ocupações permitidas: C. gov.br, 10 dez. 2021. Disponível em: https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor/quero-ser-mei/atividades-permitidas/c. Acesso em: 22 set. 2026.
BRASIL. Portal do Empreendedor. Ocupações permitidas: V. gov.br, 10 dez. 2021. Disponível em: https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor/quero-ser-mei/atividades-permitidas/v. Acesso em: 22 set. 2026.
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