Como trabalhar como social media ou abrir uma pequena agência: CNAE, MEI, preço e contrato

Social media não pode ser MEI em 2026. Veja CNAE, Simples Nacional com Fator R, como calcular o preço do pacote e o que pôr no contrato.

Ilustração flat em fundo azul-marinho com um laptop laranja exibindo uma grade genérica de posts, ladeado por um calendário editorial e um contrato assinado, com ícones de câmera, balão de comentário, gráfico e coração em círculos brancos e uma barra de engajamento
Para gerir redes de clientes com CNPJ, o social media precisa de CNAE de publicidade, preço calculado sobre custo e contrato escrito.

Para ser social media com CNPJ em 2026, o caminho regular é a microempresa no Simples Nacional, porque a lista oficial do MEI não traz social media nem agência de publicidade. O imposto começa em 15,50% no Anexo V e cai para 6,00% no Anexo III quando a folha, com pró-labore, chega a 28% da receita (Fator R). Preço sobre custo real e contrato escrito com cessão de direitos autorais completam a base.

Pontos-chave

  • A lista oficial de ocupações do MEI, consultada em setembro de 2026, não tem social media; as ocupações de publicidade permitidas são promotor de vendas independente (CNAE 7319-0/02) e proprietário de carro de som para fins publicitários (7319-0/99).
  • Publicidade foi a terceira atividade específica que mais abriu MEI de janeiro a abril de 2026, com 98 mil registros, segundo a Agência Sebrae de Notícias.
  • A Lei Complementar 123/2006 coloca “jornalismo e publicidade” no Anexo V do Simples Nacional, com alíquota inicial de 15,50%, e manda tributar no Anexo III, com alíquota inicial de 6,00%, quando a folha chega a 28% da receita bruta.
  • O Painel Cenp-Meios 2025 registrou R$ 28,9 bilhões em investimento publicitário no Brasil, alta de 10%, e a internet ficou com 40,6% desse total.
  • A Lei 9.610/1998 exige contrato escrito para cessão de direitos autorais e limita a cinco anos a cessão sem prazo estipulado por escrito.
  • O novo guia do CONAR para influenciadores digitais produz efeitos desde 1º de junho de 2026 e vale também para conteúdo gerado por inteligência artificial.

O que faz um social media e o que muda ao abrir uma agência?

Social media é o profissional que planeja, produz, publica e mede o conteúdo de uma marca nas redes sociais, com calendário editorial, textos, peças visuais, respostas a comentários e relatórios de resultado. Na Classificação Brasileira de Ocupações, o cargo de social media aparece como analista de redes sociais, no código CBO 2534-05.

A diferença entre trabalhar sozinho e abrir uma agência está no volume de clientes e na estrutura de entrega. O social media freelancer vende o próprio tempo e atende poucos clientes por vez. A pequena agência divide funções (estratégia, criação, anúncios, atendimento), contrata ou terceiriza pessoas e passa a responder pelo trabalho da equipe perante o cliente.

O que a agência de marketing digital faz além das redes?

A agência de marketing digital, na descrição do Sebrae, reúne funções como estrategista de marketing digital, produtor de conteúdo, gestor de redes sociais, criador de links patrocinados e especialista em e-mail marketing. O Sebrae Respostas resume a estrutura assim: “seu principal investimento é intelectual e técnico”. A agência pode funcionar em home office, em atendimento virtual, em coworking ou em espaço comercial.

Vale a pena ser social media em 2026?

O mercado de publicidade digital no Brasil tem dinheiro e demanda: o Painel Cenp-Meios 2025 mediu R$ 28,9 bilhões em compra de mídia, e a internet respondeu por 40,6% do total, à frente da TV aberta. Segundo Luiz Lara, presidente do Cenp, “o mercado publicitário brasileiro demonstrou resiliência e dinamismo”.

A demanda vem também dos pequenos negócios: na 12ª Pulso dos Pequenos Negócios, do Sebrae, com mais de 8,2 mil empreendedores ouvidos em fevereiro e março de 2026, 73% usam ferramentas on-line para vender e o Instagram aparece em 57% das respostas. Segundo Rodrigo Soares, presidente do Sebrae, “quando pequenos negócios entram em inovação e digitalização, há mais inclusão e competitividade”.

O relatório Digital 2026: Brazil, do DataReportal, contou 150 milhões de identidades ativas em redes sociais no Brasil em outubro de 2025. A tabela reúne os números da profissão.

Indicador Número Período Fonte
Investimento publicitário no Brasil R$ 28,9 bilhões (alta de 10%) 2025 Cenp-Meios
Participação da internet na compra de mídia 40,6% (R$ 11,746 bilhões) 2025 Cenp-Meios, via Meio & Mensagem
Novos MEIs de publicidade 98 mil Janeiro a abril de 2026 Agência Sebrae de Notícias
Usuários de redes sociais no Brasil 150 milhões (70,4% da população) Outubro de 2025 DataReportal
Pequenos negócios que vendem on-line 73% Fevereiro e março de 2026 Sebrae, Pulso 12ª edição
Salário médio de admissão, analista de redes sociais (CBO 2534-05) R$ 2.872,71 Agosto de 2025 a julho de 2026 Salario.com.br com Novo Caged

Fonte: elaboração própria com base em Cenp, Meio & Mensagem, Agência Sebrae de Notícias, DataReportal e Salario.com.br, 2025 e 2026.

Social media pode ser MEI em 2026?

Não: social media não pode ser MEI em 2026, porque a lista oficial de ocupações permitidas ao microempreendedor individual não tem ocupação de social media, gestor de redes sociais, marketing digital ou agência de publicidade. Pelo portal Empresas & Negócios, toda ocupação do MEI está associada a um código CNAE, com 1 ocupação principal e até 15 secundárias.

Segundo Eduarda Cristina de Souza, analista contábil sênior da Contabilizei, “Não, Social Media não pode ser MEI.” A especialista explica que as CNAEs mais usadas pela profissão, 7311-4/00 (agências de publicidade) e 7319-0/03 (marketing direto), não constam da lista, e que atividades de cunho intelectual ficam excluídas do regime.

Por que tanta gente abre MEI de publicidade, então?

A Agência Sebrae de Notícias contou 98 mil MEIs abertos em publicidade de janeiro a abril de 2026, terceira atividade específica do ranking, atrás de malote e entrega (133,5 mil) e de transporte rodoviário de carga (121,6 mil). As ocupações de publicidade que a lista do MEI aceita são promotor(a) de vendas independente (CNAE 7319-0/02) e proprietário(a) de carro de som para fins publicitários independente (7319-0/99). Nenhuma das duas descreve a gestão de redes sociais de um cliente.

Quais ocupações do MEI chegam perto do trabalho de social media?

A lista oficial do MEI permite algumas atividades que fazem parte da rotina de conteúdo, mas não o serviço completo de social media. Editor(a) de vídeo independente (CNAE 5912-0/99), fotógrafo(a) independente (7420-0/01) e filmador(a) independente (7420-0/04) são ocupações permitidas. Quem só edita vídeos ou só fotografa pode ser MEI nessas ocupações. Quem planeja estratégia, escreve legendas, gerencia perfis e roda anúncios presta serviço de publicidade, que não cabe no MEI.

Qual CNAE usar para social media e agência?

A escolha da CNAE depende do que o contrato entrega, e o IBGE, pela Concla, descreve cada código. A CNAE 7311-4/00 (agências de publicidade) compreende “a criação e a produção de campanhas de publicidade para qualquer finalidade, para veiculação em quaisquer tipos de veículos de comunicação”, inclusive internet. A CNAE 7319-0/04 (consultoria em publicidade) cobre “as atividades de consultoria em publicidade e propaganda”. A CNAE 7319-0/03 (marketing direto), que o Sebrae indica para agência de marketing digital, trata na descrição do IBGE de publicidade por mala direta, telefone e visitas de representantes, por isso vale confirmar o código com o contador.

Como funciona o Simples Nacional e o Fator R para social media?

O Simples Nacional é o regime tributário unificado da Lei Complementar 123/2006, que junta tributos federais, estadual e municipal em uma guia só (o DAS), para microempresas com receita de até R$ 360.000,00 por ano e empresas de pequeno porte com receita de até R$ 4.800.000,00. O art. 18, § 5º-I, inciso X da LC 123 coloca “jornalismo e publicidade” entre as atividades tributadas no Anexo V. O inciso IX do mesmo parágrafo inclui consultoria, e o inciso VI inclui design e desenho.

Fator R é a razão entre a folha de salários dos últimos doze meses, com encargos e pró-labore, e a receita bruta do mesmo período. Pelo § 5º-J do art. 18, na redação da LC 155/2016, as atividades do § 5º-I “serão tributadas na forma do Anexo III desta Lei Complementar caso a razão entre a folha de salários e a receita bruta da pessoa jurídica seja igual ou superior a 28%”. Na primeira faixa, até R$ 180.000,00 de receita em doze meses, a alíquota nominal do Anexo III é 6,00% e a do Anexo V é 15,50%.

A tabela compara os enquadramentos possíveis.

Enquadramento Quem pode Limite de receita Imposto sobre serviço Regra legal
MEI em ocupação permitida (editor de vídeo, fotógrafo) Quem entrega só a atividade listada R$ 81 mil por ano DAS fixo de R$ 86,05 por mês (serviços, 2026) LC 123, art. 18-A, e lista CGSIM
ME no Simples, Anexo V Social media e agência com folha abaixo de 28% da receita R$ 360.000,00 por ano 15,50% na primeira faixa LC 123, art. 18, § 5º-I, X
ME no Simples, Anexo III pelo Fator R Social media e agência com folha igual ou acima de 28% R$ 360.000,00 por ano 6,00% na primeira faixa LC 123, art. 18, § 5º-J
EPP no Simples Agência que passou de R$ 360 mil Até R$ 4.800.000,00 por ano Anexo III até 33,00% ou Anexo V até 30,50% na sexta faixa LC 123, art. 3º, II
Nota fiscal de serviço Toda ME e EPP do Simples Não se aplica Emissor Nacional da NFS-e obrigatório desde 1º de setembro de 2026 Resolução CGSN nº 189/2026

Fonte: elaboração própria com base na LC 123/2006, LC 155/2016, portal Empresas & Negócios, MEMP e Portal da NFS-e, 2026.

Como calcular o Fator R na prática?

O Fator R se calcula dividindo a folha de salários dos doze meses anteriores pela receita bruta dos mesmos doze meses, conforme o § 5º-K do art. 18 da LC 123. Em um exemplo hipotético, uma ME de social media que fatura R$ 10.000 por mês precisa de R$ 2.800 por mês de folha, somando pró-labore do sócio e salários com encargos, para atingir 28%.

Onde o social media iniciante erra na formalização?

O erro mais caro do social media iniciante é escolher o regime pela facilidade e não pela atividade real. O MEI parece simples, com teto de R$ 81 mil por ano e DAS fixo, mas a ocupação precisa corresponder ao que está no contrato. Os gargalos abaixo aparecem na abertura e nos primeiros meses de operação.

  • Abrir MEI em ocupação que não descreve o serviço, como promotor de vendas, para faturar gestão de redes sociais, o que deixa a nota fiscal incompatível com o contrato e expõe a empresa ao desenquadramento.
  • Ignorar o teto do MEI: quem abre no meio do ano tem limite proporcional de R$ 6.750 por mês de atividade, e passar do teto, mesmo dentro da margem de 20% (até R$ 97.200 no ano cheio), gera DAS complementar e desenquadramento no ano seguinte, segundo o MEMP.
  • Abrir ME no Anexo V sem simular o Fator R, pagando 15,50% sobre o faturamento quando um pró-labore ajustado levaria a 6,00% no Anexo III.
  • Emitir nota por sistema municipal antigo depois de 1º de setembro de 2026, quando a Resolução CGSN nº 189/2026 tornou obrigatório o Emissor Nacional da NFS-e para optantes do Simples.
  • Trabalhar sem contrato escrito e sem cláusula de direitos autorais, o que, pelo art. 49 da Lei 9.610/1998, limita a cessão a cinco anos e ao país do contrato.

Como abrir o CNPJ de social media passo a passo?

O passo a passo vale para o social media e para a pequena agência. Quem vai trabalhar só com edição de vídeo ou fotografia pode seguir o guia de como abrir MEI em 2026 com custos e limite de faturamento, porque essas ocupações estão na lista do MEI.

  1. Defina o serviço que vai vender. Escreva em uma frase o que o cliente recebe (planejamento, criação, publicação, anúncios, relatório), porque essa descrição decide a CNAE.
  2. Escolha a CNAE com o contador. Para gestão de redes e criação de campanhas, a referência do IBGE é a 7311-4/00; para consultoria, a 7319-0/04.
  3. Escolha a natureza jurídica. Quem trabalha sozinho pode abrir empresário individual ou sociedade limitada unipessoal; quem abre agência com sócio abre sociedade limitada com contrato social.
  4. Simule o Simples Nacional com e sem Fator R. Peça ao contador o cálculo do Anexo V (15,50% na primeira faixa) e do Anexo III (6,00%) com o pró-labore necessário para chegar a 28% da receita.
  5. Registre a empresa e peça a inscrição municipal. O registro passa pela Junta Comercial e pela Receita Federal, e a inscrição municipal libera a emissão de nota de serviço.
  6. Configure o Emissor Nacional da NFS-e. Desde 1º de setembro de 2026, a Resolução CGSN nº 189/2026 obriga o optante do Simples a emitir a nota de serviço pelo Emissor Nacional.
  7. Abra conta bancária de pessoa jurídica e separe as finanças. Receba dos clientes só na conta da empresa e pague a si mesmo por pró-labore ou distribuição de lucros.
  8. Monte o modelo de contrato antes do primeiro cliente. O contrato define escopo, prazo, aprovação, preço, reajuste, cessão de direitos autorais, dados pessoais e rescisão.

Como definir o preço do pacote de social media?

O preço do pacote de social media deve cobrir o custo fixo da operação, a remuneração do profissional, o imposto e a margem, e não copiar a tabela de um concorrente. O método de precificação de serviços com impostos e ponto de equilíbrio parte do custo por hora: some custos fixos e pró-labore desejado, divida pelas horas faturáveis do mês e multiplique pelas horas que cada pacote consome.

Um exemplo de custos fixos do Sebrae para agência de marketing digital soma R$ 3.250,00 por mês, com salários, aluguel e utilidades. O imposto entra por fora: para receber um valor líquido, divida o preço pelo complemento da alíquota. Com 6,00% do Anexo III, o fator é 1 dividido por 0,94, ou 1,064; com 15,50% do Anexo V, o fator é 1 dividido por 0,845, ou 1,183.

A tabela compara os modelos de cobrança usados na profissão.

Modelo de cobrança Como funciona Quando serve Risco principal
Pacote mensal fixo (fee) Valor mensal por escopo fechado de posts, stories e relatório Cliente recorrente com calendário editorial Escopo crescer sem reajuste no preço
Hora técnica Custo por hora multiplicado pelas horas usadas Consultoria, auditoria de perfil, treinamento Cliente questionar o controle de horas
Projeto fechado Preço único por entrega com prazo (lançamento, campanha) Ações pontuais com início e fim Rodadas extras de alteração
Fee mais gestão de anúncios Pacote mensal e valor separado para gerir a verba de mídia Cliente que investe em anúncios pagos Confusão entre verba de mídia e honorário na nota
Fee mais variável por resultado Parte fixa e bônus por meta combinada Cliente com meta clara de vendas ou leads Meta depender de fatores fora do controle do social media

Fonte: elaboração própria com base no método de precificação por custo e no exemplo de custos fixos do Sebrae Respostas.

O que o contrato de social media precisa ter?

O contrato de social media precisa tratar três temas que o prestador costuma esquecer: direitos autorais sobre a criação, tratamento de dados pessoais dos seguidores e identificação de publicidade. As cláusulas gerais de escopo, prazo, pagamento e rescisão seguem o modelo de contratos para pequenos negócios com cláusulas, validade e assinatura eletrônica.

Quem é dono do post criado pelo social media?

Pela Lei 9.610/1998, a Lei de Direitos Autorais, o autor é “a pessoa física criadora de obra literária, artística ou científica”, e fotografias e desenhos são obras protegidas pelo art. 7º da lei.

O art. 49, II só admite a transmissão total e definitiva dos direitos “mediante estipulação contratual escrita”, e o art. 4º manda interpretar restritivamente os negócios sobre direitos autorais. Sem cláusula clara, o cliente não recebe todos os direitos sobre o que pagou, e o social media não pode reutilizar livremente o que cedeu.

O social media responde pela LGPD?

Sim: na Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018), o social media que acessa listas de clientes, mensagens diretas e públicos de anúncios da marca atua como operador, que o art. 5º, VII define como quem “realiza o tratamento de dados pessoais em nome do controlador”. Pelo art. 42, § 1º, I, o operador responde solidariamente quando descumpre a lei ou não segue as instruções lícitas do controlador, e o art. 52, II prevê multa de até 2% do faturamento, limitada a R$ 50.000.000,00 por infração.

O que o CONAR exige de quem produz conteúdo pago?

O CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) publicou em 12 de maio de 2026 o novo Guia de Publicidade por Influenciadores Digitais, com efeitos a partir de 1º de junho de 2026, segundo análise do escritório KLA Advogados. O guia recomenda priorizar as ferramentas de identificação das próprias plataformas e afirma que, “mesmo em conteúdos publicitários gerados por IA, permanecem aplicáveis as disposições do CBAP e do próprio Guia”.

Os riscos abaixo aparecem quando o contrato ignora esses temas.

  • Contrato sem cláusula de cessão de direitos: o cliente fica com uso limitado a cinco anos e ao Brasil, pelo art. 49, III e IV da Lei 9.610/1998, e pode contestar o pagamento quando descobrir.
  • Uso de foto de banco de imagens ou de terceiro sem licença: o art. 29 da Lei 9.610/1998 exige autorização prévia e expressa do autor, e a indenização recai sobre quem publicou.
  • Planilha de seguidores ou leads guardada no computador pessoal: o social media, como operador, responde solidariamente pelo vazamento, pelo art. 42 da LGPD.
  • Post patrocinado sem identificação: o anúncio pode ser questionado no CONAR e ter recomendação de alteração ou suspensão, com dano à reputação do cliente e da agência.
  • Cláusula aberta de alterações: sem limite de rodadas por peça, o pacote mensal consome horas não pagas e derruba a margem calculada no preço.

Perguntas frequentes sobre como ser social media

Precisa de faculdade para ser social media?

Não. Social media é ocupação de livre exercício no Brasil, sem conselho profissional nem diploma obrigatório. Cursos de publicidade, jornalismo, design ou marketing ajudam na técnica, mas o cliente contrata pelo portfólio, pelos resultados em relatório e pela organização do calendário editorial.

Social media pode ser MEI em 2026?

Não. A lista oficial de ocupações do MEI, consultada em setembro de 2026 no portal gov.br, não inclui social media, marketing digital nem agência de publicidade. O caminho regular para gerir redes de clientes com CNPJ é a microempresa no Simples Nacional, com CNAE de publicidade e tributação no Anexo III ou no Anexo V.

Editor de vídeo pode ser MEI?

Sim. Editor(a) de vídeo independente, com CNAE 5912-0/99, é ocupação permitida ao MEI, assim como fotógrafo(a) independente (7420-0/01) e filmador(a) independente (7420-0/04). O limite é faturar até R$ 81 mil por ano e entregar só a atividade listada, sem planejamento de redes nem gestão de perfis.

Qual é o teto de faturamento do MEI em 2026?

O teto do MEI em 2026 é R$ 81 mil por ano, ou R$ 6.750 por mês de atividade no ano de abertura, segundo o MEMP. Passar do teto gera DAS complementar e desenquadramento.

Quanto custa o DAS do MEI de serviços em 2026?

O DAS do MEI de serviços custa R$ 86,05 por mês em 2026, sendo R$ 81,05 de INSS e R$ 5,00 de ISS, segundo o portal Empresas & Negócios. O valor acompanha o salário mínimo de R$ 1.621,00, definido pelo Decreto 12.797/2025, e vale para editor de vídeo e fotógrafo MEI.

Qual CNAE a agência de social media usa?

A agência de social media usa em geral a CNAE 7311-4/00 (agências de publicidade), que o IBGE descreve como criação e produção de campanhas para qualquer veículo, inclusive internet. Consultoria usa a 7319-0/04.

Qual anexo do Simples Nacional vale para social media?

O social media com CNPJ de publicidade fica no Anexo V do Simples Nacional, pelo art. 18, § 5º-I, X da LC 123, com alíquota inicial de 15,50%. Quando a folha de salários com pró-labore chega a 28% da receita dos últimos doze meses, a tributação passa ao Anexo III, com alíquota inicial de 6,00%.

O que é Fator R no Simples Nacional?

Fator R é a razão entre a folha de salários dos doze meses anteriores, com encargos e pró-labore, e a receita bruta do mesmo período. Com 28% ou mais, publicidade vai ao Anexo III.

O pró-labore conta para o Fator R?

Sim. O pró-labore do sócio entra na folha de salários usada no cálculo do Fator R, junto com salários e encargos dos empregados. O social media que trabalha sozinho costuma ajustar o próprio pró-labore para chegar a 28% da receita, mas precisa somar o INSS desse pró-labore na conta para saber se a mudança compensa.

Social media precisa emitir nota fiscal?

Sim. O social media com CNPJ emite nota fiscal de serviço para cada cliente, e desde 1º de setembro de 2026 a Resolução CGSN nº 189/2026 obriga o optante do Simples Nacional a usar o Emissor Nacional da NFS-e.

Qual é a alíquota de ISS sobre publicidade?

A alíquota de ISS sobre publicidade vai de 2% a 5%, conforme o município, pelos arts. 8º e 8º-A da LC 116/2003, e o serviço está no subitem 17.06 da lista anexa. Para a empresa do Simples Nacional, o ISS vem embutido no DAS, dentro da alíquota do Anexo III ou do Anexo V.

Social media ganha mais como PJ ou CLT?

Depende do número de clientes e do preço. O salário médio de admissão do analista de redes sociais pela CLT é R$ 2.872,71, segundo o Salario.com.br com dados do Novo Caged. Como PJ, o social media paga imposto, equipamento e software e não tem férias remuneradas, então precisa faturar acima desse valor para empatar.

Quantos clientes um social media consegue atender?

O número de clientes depende das horas que cada pacote consome, e não há pesquisa oficial com método que fixe essa quantidade. O cálculo seguro divide as horas faturáveis do mês pelas horas que cada cliente exige em criação, publicação, atendimento e relatório, deixando folga para reuniões e alterações.

Como cobrar por pacote de social media?

Cobre por pacote mensal com escopo fechado: quantidade de posts, formatos, redes, rodadas de alteração e relatório. Calcule o custo por hora (custos fixos mais pró-labore divididos pelas horas faturáveis), multiplique pelas horas do pacote, some a margem e divida pelo complemento da alíquota do Simples Nacional.

A verba de anúncios entra na nota do social media?

Não deve entrar. A verba de mídia dos anúncios deve ser paga pelo cliente direto à plataforma, e o social media fatura só o honorário de gestão. Assim o imposto incide só sobre o serviço.

Quem é dono das artes criadas para o cliente?

O autor das artes é a pessoa física que as criou, pelo art. 11 da Lei 9.610/1998. O cliente só recebe a cessão total e definitiva dos direitos com contrato escrito, pelo art. 49, II. Sem prazo estipulado por escrito, a cessão vale por no máximo cinco anos, pelo inciso III do mesmo artigo.

O social media pode usar os posts do cliente no portfólio?

Pode, se o contrato autorizar. A Lei 9.610/1998 manda interpretar restritivamente os negócios sobre direitos autorais, então a cláusula deve dizer que o social media mantém o direito de exibir as peças no portfólio, e o cliente pode vetar material sigiloso, como lançamentos antes da data.

Social media precisa seguir a LGPD?

Sim. O social media que trata dados de seguidores, leads ou listas de clientes em nome da marca é operador pela LGPD e deve seguir as instruções do controlador, pelo art. 39. Se descumprir a lei, responde solidariamente pelos danos, pelo art. 42, e a multa pode chegar a 2% do faturamento.

Post patrocinado precisa de identificação?

Sim. O Guia de Publicidade por Influenciadores Digitais do CONAR, com efeitos desde 1º de junho de 2026, pede identificação clara do conteúdo publicitário, de preferência pelas ferramentas das próprias plataformas. Para conteúdo não combinado, como produto enviado sem contrato, o guia sugere expressões como “#recebido” ou “#conviteDeMarca”.

Quando a pequena agência deixa de ser microempresa?

A pequena agência deixa de ser microempresa quando a receita bruta anual passa de R$ 360.000,00 e vira empresa de pequeno porte, que pode faturar até R$ 4.800.000,00 no Simples Nacional, pelo art. 3º da LC 123.

Conclusão

Trabalhar como social media com CNPJ em 2026 começa por aceitar que o MEI não serve para quem gere redes de clientes: a lista oficial não traz a ocupação, e o caminho regular é a microempresa no Simples Nacional. Com CNAE de publicidade, a diferença entre 15,50% no Anexo V e 6,00% no Anexo III, pelo Fator R de 28%, decide boa parte da margem. Antes do primeiro cliente, simule o Fator R com o contador, calcule o preço por hora e assine contrato com cessão de direitos e cláusula de dados pessoais.

Como citar este artigo

ABNT: FERREIRA, Juliana. Como trabalhar como social media ou abrir uma pequena agência: CNAE, MEI, preço e contrato. Montar Próprio Negócio, 22 set. 2026. Disponível em: https://montarproprionegocio.com.br/como-trabalhar-como-social-media/. Acesso em: 22 set. 2026.

APA: Ferreira, J. (2026, 22 de setembro). Como trabalhar como social media ou abrir uma pequena agência: CNAE, MEI, preço e contrato. Montar Próprio Negócio. https://montarproprionegocio.com.br/como-trabalhar-como-social-media/

Referências

AGÊNCIA SEBRAE DE NOTÍCIAS. WhatsApp se consolida nas vendas on-line enquanto Facebook e lojas próprias perdem fôlego. Agência Sebrae de Notícias, 16 abr. 2026. Disponível em: https://agenciasebrae.com.br/dados/whatsapp-se-consolida-nas-vendas-on-line-enquanto-facebook-e-lojas-proprias-perdem-folego/. Acesso em: 22 set. 2026.

BRASIL. Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003. Dispõe sobre o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Brasília: Presidência da República, 2003. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp116.htm. Acesso em: 22 set. 2026.

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