Como precificar produtos e serviços: fórmulas, impostos e ponto de equilíbrio

Como precificar produtos e serviços: custo fixo e variável, markup, margem de contribuição, ponto de equilíbrio, preço por hora e impostos em 2026.

Estrutura de precificação com custo, despesas, impostos, margem e preço de venda
Preço não é custo mais um número redondo: é custo, despesa, imposto e margem, nessa ordem.

Precificar produtos e serviços é somar custo variável, custo fixo rateado, impostos e lucro desejado em um preço que o cliente aceite pagar. A conta prática tem três peças: markup para chegar ao preço de venda, margem de contribuição para saber quanto sobra de cada venda e ponto de equilíbrio para descobrir o faturamento mínimo que paga a estrutura.

Pontos-chave

  • Das empresas nascidas em 2017, 37,3% continuavam ativas em 2022, segundo a pesquisa Demografia das Empresas do IBGE.
  • A sobrevivência em cinco anos é de 57,7% para o MEI, 74,3% para a microempresa e 78,6% para a empresa de pequeno porte, segundo relatório técnico do Sebrae de 2023.
  • O MEI paga em 2026 R$ 81,05 de INSS por mês, mais R$ 1,00 de ICMS ou R$ 5,00 de ISS conforme a atividade, segundo a Receita Federal.
  • No Simples Nacional, a primeira faixa do Anexo I (comércio) tem alíquota nominal de 4,00% e a do Anexo III (serviços), 6,00%, até R$ 180.000,00 em 12 meses.
  • Em 2026, a reforma tributária cobra alíquotas de teste de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, compensadas com PIS e Cofins, segundo a Agência Brasil.
  • O IPCA acumulou alta de 4,44% em 12 meses até julho de 2026, segundo o IBGE, referência usual para o reajuste anual de tabela.

O que é precificação e o que precisa entrar no preço de venda?

Precificação é o processo de definir o preço de venda de um produto ou serviço a partir de três informações: quanto custa produzir ou entregar, quanto custa manter a empresa aberta e quanto o dono quer ganhar. O preço não é palpite: é uma conta que precisa cobrir custo, imposto, comissão e lucro, e só depois ser comparada com o mercado.

O Sebrae Santa Catarina resume a formação de preço em uma estrutura simples: custo, mais lucro, mais despesas variáveis, resulta no preço de venda.

Qual a diferença entre custo fixo, custo variável e despesa variável?

Custo fixo é o gasto que a empresa paga independentemente de vender. Segundo o Sebrae Santa Catarina, custos fixos “devem ser pagos, não importando o valor do seu faturamento”. Aluguel, contador, software de gestão e pró-labore entram nesse bloco.

Custo variável é o gasto que existe apenas porque houve uma venda. Ainda segundo o Sebrae Santa Catarina, os custos variáveis “são esporádicos e dependem do volume de venda”. Matéria-prima, embalagem, frete, taxa de maquininha e comissão de vendedor são custos variáveis. Quem vende pela internet precisa levantar essas taxas antes de fechar o preço, porque comissão de plataforma e frete mudam a margem de cada pedido, como detalha o guia sobre como montar uma loja virtual e calcular taxas de plataforma e frete.

Em produtos pequenos, como semijoias, cartela, embalagem e taxa da maquininha entram no custo unitário. Veja a conta aplicada no guia sobre como montar um negócio de semijoias.

Despesa variável é o que incide sobre o valor da venda em percentual, principalmente imposto e comissão. A separação importa: custo fixo entra por rateio, despesa variável entra como percentual do próprio preço.

Por que errar o preço aparece nas estatísticas de fechamento de empresas?

A mortalidade de pequenos negócios é maior justamente entre os menores, que são os que menos calculam preço com método. Segundo a pesquisa Demografia das Empresas do IBGE, das empresas nascidas em 2017 apenas 37,3% continuavam ativas em 2022, ano em que o país tinha 7,9 milhões de empresas ativas, das quais 2,6 milhões eram empregadoras.

O Sebrae mediu o mesmo por porte. No relatório técnico sobre sobrevivência das empresas mercantis brasileiras, com empresas criadas entre 2017 e 2021 e situação verificada no fim de 2022, a sobrevivência em cinco anos foi de 57,7% para o MEI, 74,3% para a microempresa e 78,6% para a empresa de pequeno porte.

Porte ou recorte Indicador Percentual Fonte e ano de referência
MEI Sobrevivência em 5 anos 57,7% Sebrae, empresas de 2017 a 2021
Microempresa (ME) Sobrevivência em 5 anos 74,3% Sebrae, empresas de 2017 a 2021
Empresa de pequeno porte (EPP) Sobrevivência em 5 anos 78,6% Sebrae, empresas de 2017 a 2021
Empresas nascidas em 2017 Ainda ativas em 2022 37,3% IBGE, Demografia das Empresas 2022
MEI Mortalidade em até 5 anos 29% Sebrae, pesquisa de 2020
Comércio Mortalidade em até 5 anos 30,2% Sebrae, pesquisa de 2020

Fonte: IBGE (Demografia das Empresas 2022), Sebrae (Relatório Técnico 2017-2022) e Agência Sebrae de Notícias (pesquisa de 2020).

O perfil de quem abre o negócio explica parte da fragilidade. Na pesquisa Sobrevivência de Empresas do Sebrae, 42% dos empreendedores estavam desempregados antes de abrir a empresa. Segundo Carlos Melles, presidente do Sebrae, entre os microempreendedores individuais “há uma maior proporção de pessoas que estavam desempregadas antes de abrir o negócio”. Quem abre por necessidade costuma copiar o preço do vizinho em vez de calcular o próprio.

Como calcular markup, margem de contribuição e ponto de equilíbrio?

O markup diz qual preço cobrar, a margem de contribuição diz quanto sobra de cada venda e o ponto de equilíbrio diz quanto vender para não ter prejuízo.

Como calcular o markup e chegar ao preço de venda?

Markup é o multiplicador aplicado sobre o custo para chegar ao preço de venda. Segundo o Sebrae Santa Catarina, markup é “o percentual aplicado aos produtos, ou seja, o lucro desejado”.

A fórmula do markup divisor é a mais segura porque trata despesa variável como percentual do preço, não do custo. Markup divisor = 1 menos (despesas variáveis em % + despesas fixas em % + lucro desejado em %). O preço de venda é o custo dividido por esse resultado.

Exemplo hipotético: um produto custa R$ 20,00 de matéria-prima e embalagem. A empresa estima 8% de imposto, 5% de comissão, 12% de rateio de despesa fixa e quer 15% de lucro, somando 40%. O markup divisor é 1 menos 0,40, ou seja, 0,60, e o preço de venda é R$ 20,00 dividido por 0,60, igual a R$ 33,33. Os valores são hipotéticos e didáticos.

O Sebrae também publica a versão multiplicadora. No material da Comunidade Sebrae assinado por Lívia Hubner, o preço de um serviço é o custo unitário total multiplicado pelo markup: R$ 55,00 por 1,75 resulta em R$ 96,25, e R$ 20,00 por 2,7 resulta em R$ 54,00 para produtos.

O que a margem de contribuição mostra que o markup não mostra?

Margem de contribuição é o que sobra de cada venda após os custos e despesas variáveis dela. A fórmula: margem de contribuição unitária = preço de venda menos custo variável unitário menos despesas variáveis unitárias. O índice é essa margem dividida pelo preço.

No exemplo hipotético acima, o preço de R$ 33,33 menos R$ 20,00 de custo variável e menos R$ 4,33 de imposto e comissão resulta em margem de contribuição de R$ 9,00 por unidade, um índice de 27% sobre o preço. Esse número, e não o lucro do fim do mês, diz se vale aceitar um pedido grande com desconto.

Como calcular o ponto de equilíbrio do negócio?

Ponto de equilíbrio é o volume de vendas em que o lucro é zero. Segundo o Sebrae Mato Grosso do Sul, é o ponto em que “os produtos ou serviços pagam as despesas fixas e variáveis da empresa, mas não deixam nenhum lucro”. O Sebrae/MS apresenta três versões: o contábil divide os custos e despesas fixas pelo índice da margem de contribuição; o financeiro subtrai antes as despesas não desembolsáveis; o econômico soma o custo de oportunidade.

No exemplo hipotético, com R$ 9.000,00 de custo fixo mensal e margem de contribuição de R$ 9,00 por unidade, o ponto de equilíbrio é de 1.000 unidades por mês, ou R$ 33.333,33 de faturamento (R$ 9.000,00 divididos pelo índice de 0,27).

Quanto de imposto entra no preço em 2026?

Imposto é despesa variável e precisa estar no preço antes da primeira venda. O regime tributário muda a conta inteira, então o primeiro passo é saber em qual regime a empresa está.

O MEI paga valor fixo, e não percentual. Segundo comunicado da Receita Federal de 2 de janeiro de 2026, com o salário mínimo de R$ 1.621,00 fixado pelo Decreto nº 12.797/2025, o MEI recolhe R$ 81,05 de INSS por mês (5% do salário mínimo), mais R$ 1,00 de ICMS ou R$ 5,00 de ISS, conforme seja contribuinte desses impostos. O limite de receita bruta anual do MEI é de R$ 81.000,00, segundo o manual Perguntas e Respostas MEI e Simei da Receita Federal, de 29 de abril de 2025. O roteiro completo está no guia sobre como abrir MEI passo a passo, com custos e obrigações.

No Simples Nacional, a alíquota não é a da tabela. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, define no artigo 18 a fórmula da alíquota efetiva: “(RBT12 x Aliq – PD)/RBT12”, em que RBT12 é a receita bruta dos 12 meses anteriores, Aliq é a alíquota nominal da faixa e PD é a parcela a deduzir. É ela que entra no markup.

Regime ou tributo Quanto se paga em 2026 Base de cálculo Fonte
MEI comércio ou indústria R$ 81,05 de INSS mais R$ 1,00 de ICMS Valor fixo mensal Receita Federal, 02/01/2026
MEI prestador de serviço R$ 81,05 de INSS mais R$ 5,00 de ISS Valor fixo mensal Receita Federal, 02/01/2026
MEI transportador autônomo de cargas R$ 194,52 de INSS 12% do salário mínimo Receita Federal, 02/01/2026
Simples Nacional, Anexo I, 1ª faixa 4,00% de alíquota nominal Receita bruta até R$ 180.000,00 em 12 meses Receita Federal, Anexo I
Simples Nacional, Anexo III, 1ª faixa 6,00% de alíquota nominal Receita bruta até R$ 180.000,00 em 12 meses Receita Federal, Anexo III
CBS e IBS na fase de teste 0,9% de CBS e 0,1% de IBS Compensados com PIS e Cofins Câmara dos Deputados e Agência Brasil

Fonte: Receita Federal (comunicado de 02/01/2026 e Anexos I e III), Lei Complementar nº 123/2006, Câmara dos Deputados e Agência Brasil, 2026.

O que muda no preço com a CBS e o IBS em 2026?

O ano de 2026 é a fase de teste da reforma tributária, com alíquotas de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS. Segundo a Agência Brasil, o valor recolhido é compensado com o PIS e a Cofins, sem aumento efetivo de carga tributária. Segundo Bernard Appy, secretário extraordinário da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda, “a ideia é provavelmente não cobrar o imposto o ano inteiro”. Para o pequeno negócio, o efeito imediato está na nota fiscal, não no preço.

Como precificar um serviço por hora, passo a passo?

Serviço não tem matéria-prima evidente, então o custo principal é o tempo. O método do Sebrae parte das horas realmente vendáveis, e não das 220 horas mensais usadas como base no salário-hora da CLT.

  1. Levante o custo fixo mensal do negócio. Some aluguel, internet, contador, software e assinaturas recorrentes. No exemplo da Comunidade Sebrae, o custo fixo mensal de um prestador é de R$ 4.000,00.
  2. Defina o pró-labore que você quer retirar por mês. Esse valor é o seu salário, não o lucro da empresa, e precisa estar dentro do custo antes de qualquer margem.
  3. Calcule as horas produtivas do mês. O material da Comunidade Sebrae assinado por Reinan Santos recomenda estimar de 6 a 7 horas produtivas por dia, e usa o exemplo de 7 horas por 20 dias, resultando em 140 horas produtivas mensais.
  4. Divida a soma de custo mensal e pró-labore pelas horas produtivas. A fórmula do Sebrae é: Valor Hora Bruta = (custo mensal mais salário desejado) dividido pelas horas produtivas. No exemplo, R$ 2.000,00 mais R$ 6.000,00, divididos por 140 horas, dão R$ 57,14 por hora.
  5. Acrescente os impostos por dentro do preço. O mesmo material aplica Valor Hora Final = Valor Hora Bruta dividido por (1 menos o percentual de impostos), e chega a R$ 60,78 com 6% de imposto. Use a alíquota efetiva do seu Anexo.
  6. Some o custo variável específico de cada projeto. Deslocamento, licença comprada para o cliente, subcontratação e comissão de indicação entram por fora da hora, item a item.
  7. Aplique a margem de lucro sobre o resultado. Até aqui o preço só cobre custo e imposto, e o negócio empata. A margem financia reserva, equipamento novo e crescimento.
  8. Converta o preço-hora em preço de pacote quando fizer sentido. Cliente compra resultado, não hora. Calcule a hora para saber o seu piso e apresente o valor fechado do escopo.

Como escolher o método de precificação e o que costuma ficar de fora da conta?

Nenhum método sozinho resolve: o markup dá o piso, o valor percebido dá o teto e a concorrência dá o contexto. O erro mais comum não é o método errado, e sim alimentá-lo com uma planilha de custos incompleta.

Estes itens ficam de fora da conta com mais frequência em pequenos negócios:

  • O pró-labore do dono, tratado como sobra de caixa em vez de custo fixo, o que faz o preço parecer lucrativo.
  • A taxa da maquininha, que varia por bandeira, modalidade e prazo, e precisa ser lida no contrato do credenciador.
  • O imposto calculado pela alíquota nominal do Simples Nacional em vez da alíquota efetiva do artigo 18 da Lei Complementar nº 123/2006.
  • A perda, a quebra e o retrabalho, que consomem matéria-prima sem gerar receita.
  • O custo de aquisição de cliente: anúncio, comissão de indicação e desconto de primeira compra.
  • Os royalties e a taxa de propaganda, quando o negócio é franqueado, tema tratado no guia sobre como avaliar uma franquia, royalties e payback.
Método Como funciona Quando serve Risco principal
Markup sobre o custo Divide o custo por um fator que embute imposto, taxa e lucro Produto com custo unitário claro Ignora o que o mercado aceita pagar
Margem de contribuição por item Mede quanto sobra de cada venda após custos variáveis Decidir mix e aceitar desconto Não cobre o custo fixo sozinha
Preço por hora Divide custo fixo mais pró-labore pelas horas produtivas Serviço técnico sob medida Penaliza quem fica mais rápido
Preço por pacote Converte horas estimadas em valor fechado por entrega Serviço recorrente e previsível Escopo mal definido corrói a margem
Preço pela concorrência Usa a faixa praticada no mercado como referência Produto padronizado Copia o erro de custo do concorrente
Preço por valor percebido Cobra pelo resultado entregue ao cliente Marca forte e diferencial claro Sem piso de custo, vira chute

Fonte: elaboração própria com base em Sebrae SC, Comunidade Sebrae (Sebrae/PR) e Sebrae MS, 2026.

Quais erros de precificação mais destroem a margem?

Erro de preço aparece meses depois, como faturamento crescendo e caixa encolhendo. Os erros abaixo são os mais frequentes, cada um com a consequência que produz.

  • Copiar o preço do concorrente sem conhecer o próprio custo: a empresa importa a estrutura de outro negócio e descobre tarde que não cabe na dela.
  • Usar a alíquota nominal do Simples Nacional em vez da efetiva: o imposto reservado no preço fica diferente do pago, e a diferença sai do lucro.
  • Não incluir o pró-labore no custo fixo: o dono financia a operação com o próprio salário e acha que o negócio dá lucro.
  • Dar desconto sem olhar a margem de contribuição: um desconto de 10% sobre um item com margem de 27% consome mais de um terço da sobra daquela venda.
  • Precificar por hora sem separar hora produtiva de hora total: dividir o custo por 220 horas em vez das horas faturáveis gera um preço que nunca fecha a conta.
  • Deixar a tabela congelada por anos: com o IPCA acumulando 4,44% em 12 meses até julho de 2026, segundo o IBGE, o preço parado perde poder de compra.
  • Precificar frete e taxa de plataforma por fora da margem: no e-commerce, o pedido pode ter margem positiva no produto e negativa depois do frete.

O que fazer quando o concorrente cobra menos?

A primeira providência é verificar se o concorrente cobra menos pelo mesmo escopo. Preço menor quase sempre vem com escopo menor, prazo maior ou material diferente. Compare entregas equivalentes antes de comparar números.

A segunda providência é checar o ponto de equilíbrio antes de reagir. Se o preço do concorrente estiver abaixo do seu custo variável mais imposto, acompanhá-lo significa perder dinheiro em cada venda. A margem de contribuição unitária é o teste: se ficar negativa, a venda não paga nem o próprio custo.

A terceira providência é mudar o que está sendo comparado: detalhar o escopo na proposta, oferecer versões diferentes do serviço, usar garantia ou prazo como diferencial e mostrar o custo que o cliente evita. Em produto padronizado, a saída costuma ser reduzir custo real.

A quarta providência é aceitar perder algumas vendas. Quem tenta atender a faixa mais barata do mercado com estrutura de faixa média entrega margem negativa em volume. Segundo a pesquisa do Sebrae, a mortalidade em até cinco anos chega a 30,2% no comércio, o setor mais exposto à comparação de preço.

Como reajustar preço sem perder cliente?

Reajuste de preço é decisão de calendário, não de emergência. Defina uma data fixa por ano para revisar a tabela e comunique essa política ao cliente desde o início do contrato. Quem reajusta em data conhecida enfrenta menos atrito.

Use um índice público e diga qual é. O IPCA, medido pelo IBGE, acumulou alta de 4,44% em 12 meses até julho de 2026, mês em que foi de 0,07%. Ancorar o reajuste em índice oficial transforma conversa sobre vontade em conversa sobre fato, e o cliente pode conferir o número na fonte.

Revise o custo real antes do preço de tabela. Com o salário mínimo em R$ 1.621,00 em 2026, o custo de pessoal e os pisos de contribuição mudaram, e ignorar isso significa absorver o aumento na margem. O mesmo vale para fornecedor, aluguel e taxa de plataforma.

Escalone o reajuste quando o percentual for alto e o cliente for recorrente. Aplicar o novo preço primeiro para clientes novos, depois para renovações e por último para a base antiga reduz a perda imediata. Avise com trinta dias de antecedência e mostre o que melhorou no serviço.

Custo unitário também cai com volume. Veja como a compra coletiva de brindes em redes de franquias reduz o custo por unidade.

Perguntas frequentes sobre como precificar produtos e serviços

O que é markup na precificação?

Markup é o fator aplicado sobre o custo para chegar ao preço de venda. Segundo o Sebrae Santa Catarina, markup é o percentual aplicado aos produtos, ou seja, o lucro desejado, e embute impostos e taxas.

Qual a diferença entre markup e margem de lucro?

Markup é calculado sobre o custo e margem de lucro é calculada sobre o preço de venda. Um markup de 100% sobre custo de R$ 20,00 gera preço de R$ 40,00, o que equivale a margem de 50% sobre o preço.

Como calcular a margem de contribuição?

Margem de contribuição unitária é o preço de venda menos o custo variável unitário e menos as despesas variáveis, como imposto e comissão. Dividida pelo preço, vira o índice que mostra quanto sobra de cada venda.

Como funciona a fórmula do ponto de equilíbrio?

Segundo o Sebrae Mato Grosso do Sul, o ponto de equilíbrio contábil divide os custos e despesas fixas pelo índice da margem de contribuição, e indica o faturamento em que o lucro é zero. Há ainda as versões financeira e econômica.

Quanto o MEI paga de imposto por mês em 2026?

Em 2026 o MEI recolhe R$ 81,05 de INSS, correspondentes a 5% do salário mínimo de R$ 1.621,00, mais R$ 1,00 de ICMS ou R$ 5,00 de ISS conforme a atividade, segundo comunicado da Receita Federal de 2 de janeiro de 2026.

Qual é o limite de faturamento do MEI?

O limite de receita bruta anual do MEI é de R$ 81.000,00, segundo o manual Perguntas e Respostas MEI e Simei da Receita Federal, de 29 de abril de 2025. No ano de início, é de R$ 6.750,00 por mês de atividade.

Qual a alíquota do Simples Nacional para comércio?

A primeira faixa do Anexo I do Simples Nacional, que trata do comércio, tem alíquota nominal de 4,00% para receita bruta de até R$ 180.000,00 em 12 meses. A segunda tem 7,30% e parcela a deduzir de R$ 5.940,00.

Qual a alíquota do Simples Nacional para serviços?

A primeira faixa do Anexo III tem alíquota nominal de 6,00% para receita bruta de até R$ 180.000,00 em 12 meses. A segunda faixa tem 11,20% com parcela a deduzir de R$ 9.360,00, e o Anexo depende da atividade.

Devo usar a alíquota nominal ou a efetiva no preço?

Use a alíquota efetiva. A Lei Complementar nº 123/2006 define no artigo 18 a fórmula “(RBT12 x Aliq – PD)/RBT12”, em que RBT12 é a receita bruta dos 12 meses anteriores e PD é a parcela a deduzir da faixa.

Qual é o faturamento máximo da microempresa e da EPP?

Segundo o artigo 3º da Lei Complementar nº 123/2006, microempresa é a que aufere receita bruta anual igual ou inferior a R$ 360.000,00, e empresa de pequeno porte, superior a esse valor e igual ou inferior a R$ 4.800.000,00.

A reforma tributária muda meu preço em 2026?

Em 2026 a reforma tributária está em fase de teste, com 0,9% de CBS e 0,1% de IBS. Segundo a Agência Brasil, o valor recolhido é compensado com o PIS e a Cofins, sem aumento efetivo de carga tributária.

Como precificar um serviço por hora?

Some o custo fixo mensal e o pró-labore desejado e divida pelas horas produtivas do mês. A Comunidade Sebrae usa o exemplo de R$ 2.000,00 mais R$ 6.000,00, divididos por 140 horas, resultando em R$ 57,14 por hora.

Quantas horas produtivas tem um mês de trabalho?

O material da Comunidade Sebrae assinado por Reinan Santos recomenda estimar de 6 a 7 horas produtivas por dia, cinco dias por semana, e usa 7 horas por 20 dias, resultando em 140 horas produtivas mensais.

O pró-labore entra no custo do preço?

Sim. O pró-labore é custo fixo mensal e precisa estar na conta antes de qualquer margem. Tratar a retirada do dono como sobra de caixa faz o preço parecer lucrativo enquanto o proprietário financia a operação.

Como incluir a taxa da maquininha no preço?

Trate a taxa do meio de pagamento como despesa variável, em percentual sobre o preço de venda, dentro do markup divisor. O percentual varia por bandeira, modalidade e prazo, então confira os valores no contrato do credenciador.

Como precificar produtos vendidos em marketplace?

Some ao custo variável a comissão da plataforma, a taxa de intermediação de pagamento e a parcela de frete que a loja subsidia. Calcule a margem de contribuição por canal, porque ela muda de um canal para outro.

Com que frequência devo reajustar meus preços?

Defina uma revisão anual em data fixa e comunique essa política no contrato. Use um índice público como referência: o IPCA acumulou alta de 4,44% em 12 meses até julho de 2026, segundo o IBGE.

Vale a pena baixar o preço para acompanhar o concorrente?

Só vale se o preço resultante mantiver margem de contribuição positiva e o volume adicional cobrir o custo fixo. Abaixo do custo variável somado ao imposto, cada venda gera prejuízo e vender mais acelera a perda.

Qual a taxa de sobrevivência das pequenas empresas no Brasil?

Segundo relatório técnico do Sebrae de 31 de março de 2023, a sobrevivência em cinco anos é de 57,7% para o MEI, 74,3% para a microempresa e 78,6% para a empresa de pequeno porte, com base na Receita Federal.

Preciso de contador para definir o preço de venda?

Não para montar a estrutura de custo, que o próprio dono levanta. Sim para confirmar o regime tributário, o Anexo aplicável e a alíquota efetiva do Simples Nacional, porque o enquadramento errado distorce o imposto embutido no preço.

Conclusão

Preço não é opinião: é custo fixo rateado, custo variável levantado, alíquota efetiva conferida na norma e margem decidida em percentual. Os números do IBGE mostram por que isso importa: apenas 37,3% das empresas nascidas em 2017 seguiam ativas em 2022. Comece pelo markup divisor, confirme a margem de contribuição de cada item e teste o resultado contra o ponto de equilíbrio. Para seguir na formalização, seu próximo passo é o guia sobre como abrir MEI passo a passo, com custos e obrigações.

Como citar este artigo

ABNT: ALMEIDA, Rafael. Como precificar produtos e serviços: fórmulas, impostos e ponto de equilíbrio. Montar Próprio Negócio, 09 set. 2026. Disponível em: https://montarproprionegocio.com.br/como-precificar-produtos-e-servicos/. Acesso em: 09 set. 2026.

APA: Almeida, R. (2026, 9 de setembro). Como precificar produtos e serviços: fórmulas, impostos e ponto de equilíbrio. Montar Próprio Negócio. https://montarproprionegocio.com.br/como-precificar-produtos-e-servicos/

Referências

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BRASIL. Receita Federal. ANEXO I: alíquotas e partilha do Simples Nacional, comércio. Brasília: Sistema Normas da Receita Federal. Disponível em: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBinario=48430. Acesso em: 09 set. 2026.

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