
Para abrir um brechó, você define o modelo de compra (peças próprias, consignação ou os dois), formaliza o negócio como MEI na ocupação “comerciante de artigos usados independente” (CNAE 4785-7/99), monta uma rotina de garimpo, higienização e curadoria e escolhe os canais de venda, física e online. A consignação segue os arts. 534 a 537 do Código Civil, e a peça usada tem a garantia legal do Código de Defesa do Consumidor.
Pontos-chave
- A abertura de negócios de comércio de itens usados cresceu 48,58% no primeiro semestre de 2021 em relação ao mesmo período de 2020, segundo levantamento do Sebrae com dados da Receita Federal publicado pela Agência Brasil.
- O estado de São Paulo tinha 7.348 negócios no comércio varejista de produtos usados, dos quais 71% eram MEI, segundo pesquisa do Sebrae-SP divulgada em outubro de 2025.
- Na mesma pesquisa do Sebrae-SP, com 400 consumidores, 71% citaram preços mais baixos como motivo para comprar em brechó, 45% a qualidade e 43% a sustentabilidade.
- O Portal do Empreendedor lista a ocupação “comerciante de artigos usados independente” (CNAE 4785-7/99) entre as permitidas ao MEI, que paga R$ 82,05 por mês em 2026 no comércio.
- O mercado global de roupas de segunda mão deve chegar a US$ 393 bilhões em 2030, crescendo 2 vezes mais rápido que o vestuário total, segundo o Resale Report 2026 da ThredUp com a GlobalData.
- O Código de Defesa do Consumidor dá 90 dias para reclamar de vício aparente em produto durável (art. 26, II), e a regra vale também para a peça usada.
- A plataforma Enjoei registrou GMV de R$ 350,5 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 12,4% em um ano, segundo o resultado da empresa noticiado pelo BPMoney.
O que é um brechó e como funciona a moda circular?
Brechó é o comércio varejista de artigos usados, principalmente roupas, calçados e acessórios, que compra ou recebe peças de pessoas físicas e as revende depois de selecionadas, higienizadas e precificadas. No CNAE do IBGE, o brechó está na subclasse 4785-7/99, “Comércio varejista de outros artigos usados”, que inclui roupas e calçados, móveis, utensílios domésticos, eletrodomésticos, livros e revistas usados.
Moda circular é o modelo em que a roupa volta ao consumo em vez de virar resíduo. A Lei nº 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, define no art. 9º a ordem de prioridade na gestão de resíduos: “não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos”. O brechó trabalha no terceiro degrau dessa escada, a reutilização, que a mesma lei define como aproveitamento sem transformação física, química ou biológica.
Segundo Kamila Merle, gestora de Moda do Sebrae Nacional, “É preciso ter um interesse pessoal com o consumo consciente.” Ela aponta curadoria, bom estado de conservação e transparência como base do negócio.
Qual a diferença entre brechó de peças próprias e brechó de consignação?
O brechó de peças próprias compra o lote, paga na hora e fica com todo o lucro e todo o risco de encalhe, o que exige mais capital de giro.
O brechó de consignação recebe a peça sem pagar nada, expõe por um prazo combinado e só repassa o valor ao dono depois da venda. O guia Como montar um brechó, da série Ideias de Negócio do Sebrae, descreve esse modelo como aquele em que os lucros são repartidos com o consignante. A consignação reduz o investimento inicial, mas cria obrigações que a lei regula.
O mercado de brechós está crescendo no Brasil?
Sim. O comércio de itens usados cresce há pelo menos cinco anos seguidos nos levantamentos do Sebrae. A Agência Brasil noticiou em setembro de 2021 que a abertura de estabelecimentos do setor subiu 48,58% no primeiro semestre daquele ano, com 2.104 novos negócios, o maior incremento em seis anos. Em 2022, a Agência Sebrae de Notícias registrou 2.308 pequenos negócios abertos no primeiro semestre, dos quais 2.050 eram MEI.
A pesquisa do Sebrae-SP divulgada em 8 de outubro de 2025 contou 7.348 negócios no comércio varejista de produtos usados no estado de São Paulo: 5.211 MEI (71%), 1.879 microempresas (26%) e 258 empresas de pequeno porte (3%). Em 2024, a mesma agência informou 1.800 brechós formalizados como MEI só na capital paulista, 50% a mais que em 2019.
| Indicador | Número | Referência | Fonte |
|---|---|---|---|
| Crescimento na abertura de negócios de usados | 48,58% | 1º sem. 2021 contra 1º sem. 2020 | Sebrae, via Agência Brasil |
| Pequenos negócios de usados abertos | 2.308 | 1º sem. 2022 | Agência Sebrae de Notícias |
| Negócios de usados no estado de São Paulo | 7.348 (71% MEI) | 2025 | Sebrae-SP |
| Movimentação esperada de brechós no Brasil | R$ 24 bilhões | projeção para 2025 | Boston Consulting Group, via Sebrae-SP |
| GMV da plataforma Enjoei | R$ 350,5 milhões (+12,4%) | 1º trim. 2026 | Enjoei, via BPMoney |
| Mercado global de roupas de segunda mão | US$ 393 bilhões | projeção para 2030 | ThredUp e GlobalData, 2026 |
Fonte: elaboração própria com base em Agência Brasil (2021), Agência Sebrae de Notícias (2022, 2024 e 2025), BPMoney (2026) e ThredUp (2026).
Segundo a Agência Sebrae de Notícias de São Paulo, com dados do Boston Consulting Group, 12% do guarda-roupa brasileiro era formado por roupas seminovas, com previsão de chegar a 20% em 2025. Elaine Satomi, consultora do Sebrae-SP, relacionou a expansão dos brechós ao fortalecimento da economia circular, em entrevista ao jornal O Hoje publicada em agosto de 2026.
O Resale Report 2026 da ThredUp, feito com a consultoria GlobalData e divulgado em 2 de abril de 2026, estima que o mercado global de roupas de segunda mão chegue a US$ 393 bilhões em 2030. Segundo James Reinhart, cofundador e CEO da ThredUp, “Resale is no longer just growing, it’s taking direct market share”, ou seja, a revenda passou a tirar participação direta do varejo de roupas novas.
Quais regras um brechó precisa cumprir?
Um brechó precisa de CNPJ na atividade correta, alvará da prefeitura, nota fiscal quando exigida pelo estado e respeito ao Código de Defesa do Consumidor. Se trabalhar com consignação, segue também o contrato estimatório do Código Civil.
| Regra | O que exige | Onde está | Responsável |
|---|---|---|---|
| Atividade do MEI | Ocupação “comerciante de artigos usados independente”, CNAE 4785-7/99 | Portal do Empreendedor | Dono do brechó |
| Limite do MEI | Faturamento de até R$ 81.000,00 por ano e no máximo um empregado | Portal do Empreendedor | Dono do brechó |
| Imposto mensal do MEI | DAS de R$ 82,05 no comércio em 2026 | Portal do Empreendedor | Dono do brechó |
| Consignação | Pagar o preço ajustado ou devolver a peça no prazo estabelecido | Código Civil, arts. 534 a 537 | Brechó (consignatário) |
| Garantia da peça | 90 dias para vício aparente em produto durável | CDC, art. 26, II | Brechó (fornecedor) |
| Conserto ou troca | Sanar o vício em até 30 dias, senão troca, devolução ou abatimento | CDC, art. 18, § 1º | Brechó (fornecedor) |
| Venda online | Informar CPF ou CNPJ, endereço, características da peça e custo de entrega | Decreto nº 7.962/2013, art. 2º | Brechó online |
| Arrependimento | Desistência em 7 dias em compra fora da loja | CDC, art. 49 | Brechó online |
Fonte: elaboração própria com base no Portal do Empreendedor (2021 e 2026), Código Civil, Lei nº 8.078/1990 e Decreto nº 7.962/2013.
Brechó pode ser MEI?
Sim. O Portal do Empreendedor inclui a ocupação “comerciante de artigos usados independente”, no CNAE 4785-7/99, na lista de atividades permitidas ao MEI. O MEI de comércio paga em 2026 um DAS de R$ 82,05 por mês, segundo o mesmo portal, e pode faturar até R$ 81.000,00 por ano, proporcional aos meses de atividade no ano de abertura. O passo a passo completo de formalização está no guia de como abrir MEI em 2026, com custos e limite de faturamento.
Como funciona a consignação no brechó pela lei?
A consignação é chamada pela lei de contrato estimatório. O art. 534 do Código Civil diz: “Pelo contrato estimatório, o consignante entrega bens móveis ao consignatário, que fica autorizado a vendê-los, pagando àquele o preço ajustado, salvo se preferir, no prazo estabelecido, restituir-lhe a coisa consignada.” O art. 535 acrescenta que o brechó continua obrigado a pagar o preço se a devolução da peça se tornar impossível, mesmo sem culpa, por exemplo em caso de furto ou dano.
Os arts. 536 e 537 completam a regra: a peça consignada não pode ser penhorada por credores do brechó enquanto o preço não for pago, e o dono da peça não pode vendê-la a outra pessoa antes de recebê-la de volta. Por isso, o contrato escrito com preço ajustado, prazo e percentual do brechó protege os dois lados.
Peça usada tem garantia?
Sim. O Código de Defesa do Consumidor não diferencia produto novo de usado: o art. 26, II, dá “noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos duráveis” para reclamar de vício aparente, contados da entrega. Roupa, calçado e bolsa são produtos duráveis, e a garantia legal “independe de termo expresso, vedada a exoneração contratual do fornecedor” (art. 24), então a placa “sem garantia” não tem validade.
O que o brechó pode e deve fazer é informar o estado real da peça. O art. 31 do CDC exige informação correta e clara sobre características e qualidades do produto.
Onde garimpar peças e como fazer a curadoria?
Garimpo é a busca e a seleção de peças usadas com potencial de venda, e a curadoria é o filtro que decide o que entra na arara. O guia do Sebrae recomenda pesquisar a concorrência antes de definir o mix, e a pesquisa do Sebrae-SP indica onde está a demanda: 50% dos consumidores compram vestuário em brechó, 46% calçados, 43% acessórios e 42% procuram roupas de grife ou de alta qualidade.
Quem quiser complementar o mix com acessórios novos, como brincos e colares folheados, encontra fornecedores e cuidados de compra no guia sobre como montar um negócio de semijoias.
As fontes de garimpo mais usadas por brechós pequenos e os cuidados de cada uma são estas:
- Desapego de pessoas físicas: é a fonte mais barata e a base da consignação, mas chega com peças de qualidade desigual e exige triagem rigorosa na recepção.
- Bazares beneficentes e de igrejas: vendem por preço baixo e ajudam a causa, mas o volume é irregular e as peças raramente vêm separadas por tamanho ou estilo.
- Lotes de outros brechós e de lojas que encerram atividade: trazem volume de uma vez, mas misturam peças boas com encalhe, e o custo por peça útil só se conhece depois da triagem.
- Feiras e eventos de troca: servem para garimpar e para vender ao mesmo tempo, e a pesquisa do Sebrae-SP mostra que 46% dos consumidores compram em feiras e bazares.
- Clientes que viram fornecedores: a mesma pesquisa aponta que 60% dos consumidores de brechó apenas compram, e convidá-los a desapegar amplia o estoque.
Na curadoria, o brechó separa peças com mancha que não sai, furo visível, zíper quebrado ou cheiro persistente, que seguem para reparo, doação ou reciclagem, conforme a ordem de prioridade da Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Como abrir um brechó passo a passo?
Abrir um brechó envolve sete etapas, da escolha do nicho à primeira venda online, nesta ordem.
- Defina o nicho e o modelo de compra. Escolha o público (infantil, feminino, masculino, grifes, vintage) e decida entre peças próprias, consignação ou os dois.
- Formalize o negócio como MEI. Cadastre a ocupação “comerciante de artigos usados independente”, CNAE 4785-7/99, no Portal do Empreendedor. Depois, consulte a prefeitura sobre alvará e a Secretaria da Fazenda do estado sobre a emissão de nota fiscal.
- Monte o espaço de exposição. O guia do Sebrae indica que um espaço de aproximadamente 50 m² acomoda até 2000 itens, com araras, estantes, manequins, provadores iluminados e cabides padronizados.
- Crie a rotina de recepção e triagem. Receba as peças com data, dono (se consignada), estado de conservação e preço ajustado.
- Higienize e prepare cada peça. Lave ou faça limpeza a seco, como orienta o guia do Sebrae, passe, faça pequenos reparos e coloque etiqueta com tamanho, estado e preço.
- Precifique com método. Parta do custo de cada peça (valor pago ou repasse ao consignante), some a margem e compare com o preço de peças semelhantes em outros brechós e plataformas.
- Abra os canais de venda e divulgue. Comece pelo canal mais barato (loja física, feira, Instagram ou marketplace), fotografe as peças com medidas e defeitos visíveis e publique com frequência.
Como higienizar e preparar as peças para venda?
A higienização é a etapa que transforma uma peça de desapego em produto. O guia Como montar um brechó, do Sebrae, orienta: “Lave ou utilize limpeza a seco para eliminar odores”.
A etiqueta de cuidados da peça indica o tipo de lavagem. O guia do Sebrae inclui o auxiliar de limpeza e o reparador (próprio ou terceirizado) na equipe típica de um brechó, o que mostra o peso dessa etapa no custo.
Segundo a empreendedora Tábata de Oliveira, ouvida pela Agência Sebrae de Notícias, “O maior desafio é provar que uma peça usada tem qualidade.” Higienização, reparo e boa exposição são as provas que o cliente enxerga.
Como definir o preço das peças do brechó?
O preço de uma peça de brechó parte do custo de aquisição (valor pago no lote ou repasse ao consignante), soma a margem e é ajustado pelo estado de conservação, pela marca e pela procura. O guia do Sebrae dá um exemplo: uma peça que custou R$ 30,00, com margem de 50%, é vendida por R$ 45,00. O guia recomenda também pesquisar a concorrência.
O custo real vai além do valor pago pela peça. Lavagem, reparo, embalagem, taxa de maquininha, comissão de marketplace, frete e o próprio tempo de triagem entram na conta. O guia de como precificar produtos e serviços, com fórmulas, impostos e ponto de equilíbrio mostra como transformar esses custos em markup.
O tíquete do cliente ajuda a calibrar a tabela. Na pesquisa do Sebrae-SP, 41% dos consumidores gastam entre R$ 50 e R$ 100 por compra em brechó, e 28% gastam entre R$ 100 e R$ 500.
Na consignação, o preço é combinado com o dono da peça e registrado no contrato, porque é esse “preço ajustado” que o art. 534 do Código Civil manda pagar. O percentual do brechó sobre a venda também fica escrito, com o prazo de exposição e o destino da peça não vendida.
Onde vender: loja física, online ou marketplace?
O brechó pode vender em loja física, em feiras, em loja virtual própria, em redes sociais e em marketplaces de usados, e a combinação de canais depende do capital e do público. A pesquisa do Sebrae-SP mostra que 84% dos consumidores compram em brechós físicos, o que confirma a força da experiência de garimpar ao vivo. Já o crescimento de 12,4% no GMV do Enjoei no primeiro trimestre de 2026 mostra que a venda online de usados também avança.
| Canal | Vantagem | Cuidado | Indicado para |
|---|---|---|---|
| Loja física | Cliente prova e garimpa; a pesquisa do Sebrae-SP aponta 84% de compra em brechós físicos | Aluguel, alvará e horário fixo | Brechó com volume e bom ponto |
| Feiras e bazares | Custo baixo e contato direto com o público | Venda concentrada em datas | Quem está testando o nicho |
| Instagram e WhatsApp | Divulgação barata e relacionamento com o cliente | Arrependimento de 7 dias (CDC, art. 49) e fotos de qualidade | Brechó de curadoria e nicho |
| Loja virtual própria | Controle da marca e da margem | Exigências do Decreto nº 7.962/2013 e custo de plataforma | Brechó com identidade forte |
| Marketplace de usados | Público pronto e pagamento intermediado | Comissão da plataforma e concorrência de preço | Peças de marca e giro rápido |
Fonte: elaboração própria com base no Sebrae-SP (2025), BPMoney (2026), Lei nº 8.078/1990 e Decreto nº 7.962/2013.
Na venda online, a foto e a descrição fazem o papel do provador. Cada peça precisa de fotos do defeito e de medidas. O Decreto nº 7.962/2013 exige que o site informe as “características essenciais do produto”, o CPF ou CNPJ e o endereço do vendedor, e a discriminação de despesas como a entrega.
Quem quiser montar um canal próprio encontra o caminho no guia de como montar uma loja virtual, com plataforma, pagamento, frete e lei. A peça única exige atenção: anunciada em dois canais, precisa sair dos dois assim que vende.
Quais erros mais quebram um brechó no começo?
Os erros mais comuns em brechós iniciantes estão no estoque, na lei e no preço.
- Aceitar tudo que chega em consignação: a arara enche de peças sem saída, o espaço acaba e o brechó perde os bons fornecedores, que não veem suas peças em destaque.
- Consignar sem contrato escrito: sem preço ajustado e prazo registrados, o brechó responde pelo preço de peça perdida ou danificada, como prevê o art. 535 do Código Civil,.
- Colocar “sem garantia” na etiqueta: o art. 24 do CDC proíbe a exoneração contratual, e o cliente com vício aparente tem 90 dias para reclamar, com direito a troca, devolução ou abatimento se o problema não for resolvido em 30 dias.
- Pular a higienização: peça com cheiro ou mancha confirma o preconceito contra o usado e derruba a reputação do brechó.
- Precificar só pela intuição: sem somar lavagem, reparo, comissão e frete ao custo da peça, o brechó vende muito e lucra pouco.
- Não descrever defeitos na venda online: além de gerar devolução no prazo de arrependimento de 7 dias, a omissão fere o dever de informação do art. 31 do CDC.
- Misturar o dinheiro do consignante com o caixa do brechó: o valor da peça vendida pertence ao dono até o repasse, e usá-lo como capital de giro cria dívida com fornecedores.
Perguntas frequentes sobre como abrir um brechó
Qual o CNAE de brechó?
O CNAE de brechó é o 4785-7/99, “Comércio varejista de outros artigos usados”, segundo a Concla do IBGE. A subclasse inclui roupas, calçados, móveis, utensílios domésticos, eletrodomésticos, livros e revistas usados. No MEI, a ocupação correspondente é “comerciante de artigos usados independente”, listada no Portal do Empreendedor.
Quanto o MEI de brechó paga por mês?
O MEI de brechó paga em 2026 um DAS de R$ 82,05 por mês, valor do comércio com ICMS informado pelo Portal do Empreendedor. Se o brechó também prestar serviço, como ajuste de roupas, o DAS de comércio e serviços sobe para R$ 87,05. O valor segue o salário mínimo de R$ 1.621,00.
Qual o limite de faturamento do brechó MEI?
O brechó MEI pode faturar até R$ 81.000,00 por ano, segundo o Portal do Empreendedor. No ano de abertura, o limite é proporcional aos meses de atividade. Acima disso, o brechó migra para microempresa.
Brechó MEI pode ter funcionário?
Sim. O brechó MEI pode contratar no máximo um empregado que receba o salário mínimo ou o piso da categoria, segundo o Portal do Empreendedor. Para costura e reparo, o guia do Sebrae indica o reparador terceirizado ou parceiro.
Precisa de alvará para abrir brechó?
Sim, para brechó com loja física o alvará de funcionamento é emitido pela prefeitura, e cada município tem regras próprias de zoneamento e vistoria. O MEI faz a consulta de viabilidade no próprio processo de formalização.
O que é contrato estimatório?
Contrato estimatório é o nome que o Código Civil dá à consignação. Pelo art. 534, o consignante entrega bens móveis ao consignatário, que pode vendê-los e paga o preço ajustado, ou devolve a peça no prazo estabelecido. No brechó, o consignante é o dono da roupa e o consignatário é o brechó.
O brechó paga a peça consignada que foi furtada?
Sim. O art. 535 do Código Civil diz que o consignatário não se exonera da obrigação de pagar o preço se a devolução da peça se tornar impossível, ainda que por fato que não lhe seja imputável. Furto, perda ou dano na loja deixam o brechó devendo o preço ajustado ao dono.
O dono pode pegar de volta a peça consignada a qualquer momento?
Não, o dono não pode dispor da peça consignada antes de ela ser devolvida ou de a devolução ser comunicada, segundo o art. 537 do Código Civil. O contrato de consignação deve fixar o prazo de exposição e a forma de retirada.
Roupa usada comprada em brechó tem garantia?
Sim. Roupa usada é produto durável, e o art. 26, II, do Código de Defesa do Consumidor dá 90 dias para o cliente reclamar de vício aparente, contados da entrega. No vício oculto, o prazo começa quando o defeito aparece.
O brechó é obrigado a trocar peça que o cliente não gostou?
Não, na loja física o brechó não é obrigado a trocar peça sem defeito por gosto, tamanho ou cor, porque o CDC só obriga a troca em caso de vício. Na venda online ou por WhatsApp, o cliente tem 7 dias para desistir da compra, pelo art. 49.
Como mostrar o defeito de uma peça sem perder a venda?
O brechó deve descrever o defeito na etiqueta e no anúncio, com foto, porque o art. 31 do CDC exige informação correta e clara sobre as qualidades do produto. O desgaste informado entra no preço e evita devolução.
Quanto espaço é preciso para abrir um brechó?
O guia Como montar um brechó, do Sebrae, indica que um espaço de aproximadamente 50 m² acomoda até 2000 itens, com araras, estantes, manequins e provadores. Brechó online ou de feira precisa só de área para triagem, lavagem, fotos e armazenamento.
Como lavar roupas usadas para vender no brechó?
O brechó deve seguir a etiqueta de cuidados da peça e usar lavagem comum ou limpeza a seco, como orienta o guia do Sebrae, que recomenda lavar ou limpar a seco para eliminar odores. Tecidos delicados, como seda, lã e couro, vão para lavanderia especializada.
Quanto cobrar por uma peça de brechó?
O brechó cobra o custo da peça mais a margem, ajustado pelo estado de conservação e pela concorrência. O guia do Sebrae dá o exemplo de uma peça de R$ 30,00 com margem de 50%, vendida por R$ 45,00. Na pesquisa do Sebrae-SP, 41% dos clientes gastam entre R$ 50 e R$ 100 por compra.
O que os clientes mais compram em brechó?
Os clientes de brechó compram principalmente vestuário (50%), calçados (46%) e acessórios (43%), segundo a pesquisa do Sebrae-SP com 400 consumidores divulgada em 2025. Outros 42% procuram roupas de grife ou de alta qualidade, o que abre espaço para brechós de curadoria com peças de marca.
Por que as pessoas compram em brechó?
As pessoas compram em brechó principalmente pelo preço mais baixo, citado por 71% dos entrevistados da pesquisa do Sebrae-SP, divulgada em outubro de 2025. A qualidade das peças motivou 45% e a sustentabilidade 43%.
Vale mais a pena abrir brechó físico ou online?
O brechó físico tem a vantagem da preferência do consumidor: 84% dos entrevistados do Sebrae-SP compram em brechós físicos. O online custa menos para começar e cresce, como mostra o GMV de R$ 350,5 milhões do Enjoei no primeiro trimestre de 2026.
O que o brechó online precisa informar no site?
O brechó online precisa informar nome empresarial e CPF ou CNPJ, endereço físico e eletrônico, características essenciais de cada peça, despesas adicionais como frete e as condições integrais da oferta, segundo o art. 2º do Decreto nº 7.962/2013.
Como divulgar um brechó com pouco dinheiro?
O brechó divulga com pouco dinheiro postando peças com frequência nas redes sociais, participando de feiras e convidando clientes a consignar. Como 60% dos consumidores de brechó só compram, segundo o Sebrae-SP, o convite para desapegar amplia o estoque.
O mercado de roupas usadas cresce fora do Brasil?
Sim. O Resale Report 2025 da ThredUp, feito com a GlobalData, registrou crescimento de 14% no mercado de segunda mão dos Estados Unidos em 2024, com a revenda online subindo 23%. A edição de 2026 projeta US$ 393 bilhões para o mercado global de roupas de segunda mão em 2030.
Conclusão
Abrir um brechó é formalizar um negócio simples, que cabe no MEI por R$ 82,05 por mês em 2026, e profissionalizar uma rotina que o cliente enxerga: garimpo com curadoria, higienização, preço com método e fotos honestas. Num setor em que 71% dos negócios paulistas são MEI e 84% dos consumidores ainda compram em loja física, segundo o Sebrae-SP, quem combina loja ou feira com venda online e contrato de consignação por escrito sai na frente. Comece definindo o nicho e formalize a empresa pelo guia de abertura do MEI antes de receber a primeira peça.
Como citar este artigo
ABNT: COSTA, Mariana. Como abrir um brechó: garimpo, higienização, preço das peças e venda online. Montar Próprio Negócio, 22 set. 2026. Disponível em: https://montarproprionegocio.com.br/como-abrir-um-brecho/. Acesso em: 22 set. 2026.
APA: Costa, M. (2026, 22 de setembro). Como abrir um brechó: garimpo, higienização, preço das peças e venda online. Montar Próprio Negócio. https://montarproprionegocio.com.br/como-abrir-um-brecho/
Referências
AGÊNCIA SEBRAE DE NOTÍCIAS. Brechós caem no gosto do consumidor e movimentam bilhões de reais no Brasil. ASN São Paulo, 5 ago. 2024. Disponível em: https://sp.agenciasebrae.com.br/cultura-empreendedora/brechos-caem-no-gosto-do-consumidor-e-movimentam-bilhoes-de-reais-no-brasil/. Acesso em: 22 set. 2026.
AGÊNCIA SEBRAE DE NOTÍCIAS. Comércio de artigos usados segue em alta no país. ASN Nacional, 23 ago. 2022. Disponível em: https://agenciasebrae.com.br/cultura-empreendedora/comercio-de-artigos-usados-segue-em-alta-no-pais/. Acesso em: 22 set. 2026.
AGÊNCIA SEBRAE DE NOTÍCIAS. Pesquisa feita pelo Sebrae-SP mostra que brechós são oportunidade para empreender. ASN São Paulo, 8 out. 2025. Disponível em: https://sp.agenciasebrae.com.br/dados/pesquisa-feita-pelo-sebrae-sp-mostra-que-brechos-sao-oportunidade-para-empreender/. Acesso em: 22 set. 2026.
AUGUSTO, Otavio. Brasileiro economiza, e mercado de brechós dispara no país. O Hoje, 3 ago. 2026. Disponível em: https://ohoje.com/2026/08/03/brasileiro-economiza-e-mercado-de-brechos-dispara-no-pais/. Acesso em: 22 set. 2026.
BRASIL. Decreto nº 7.962, de 15 de março de 2013. Regulamenta a Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, para dispor sobre a contratação no comércio eletrônico. Brasília: Presidência da República, 2013. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/decreto/d7962.htm. Acesso em: 22 set. 2026.
BRASIL. Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 1990. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078compilado.htm. Acesso em: 22 set. 2026.
BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Brasília: Presidência da República, 2010. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 22 set. 2026.
BRASIL. Portal do Empreendedor. Atividades permitidas ao MEI: letra C. Brasília: gov.br, 10 dez. 2021. Disponível em: https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor/quero-ser-mei/atividades-permitidas/c. Acesso em: 22 set. 2026.
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